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sábado, 1 de outubro de 2011

O matador Benitez



1949, Campeonato Sul-Americano disputado no Brasil. Em São Januário, Brasil e Paraguai se enfrentam e empatam em 1x1, resultado este que daria o título aos brasileiros. Um jovem chamado Benitez penetra a zaga do time canarinho como um raio, e marca o gol da vitória, por sinal até hoje a última vitória paraguaia em solo brasileiro. O nome do jovem jogador é Benitez, que nessa mesma competição marcou 4 gols em uma partida, na goleada de 7 X 0 sobre a Bolívia, sendo até hoje o jogador que mais marcou gols em uma única partida pela seleção Paraguaia.

Jorge Duílio Benitez Candia nasceu em Yaguaron, no ano de 1927. Iniciou sua carreira em 1945, jogando pelo Nacional do Paraguai. Foi Campeão Paraguaio em 1946, mas se destacou mesmo no Campeonato Sul-Americano de 1949. Após o torneio transferiu-se para o Boca Juniors, onde foi Vice-Campeão da primeira divisão argentina em 1950. Fez 18 gols em 44 jogos pelo Boca, antes de se transferir para o Flamengo em 1952.

Alto e forte, Benitez era um atacante matador. Logo em seu ano de estreia mostrou a que veio, sendo o artilheiro do Mengão na temporada com 27 gols em 32 jogos. A adaptação ao clube foi ótima, principalmente porque jogou junto com seu companheiro de seleção paraguaia, o goleiro Garcia. Foi o artilheiro do Campeonato Carioca de 1953 com 22 gols, ajudando o clube na conquista do Tricampeão Carioca em 1953/54/55. Jogou até 1956 no clube, quando quebrou a perna.

Em 115 jogos defendendo o Manto Sagrado, fez 76 gols, o que rende a Benitez até hoje o posto de segundo jogador estrangeiro que mais marcou gols pelo Flamengo, atrás apenas do argentino Doval. É ainda o nono jogador estrangeiro com mais jogos pelo clube.

Benítez é um dos Heróis do Mengão!

domingo, 25 de setembro de 2011

Henrique, o 3° maior goleador do Mengão!



Henrique marcou época no Flamengo comandando com sua camisa 9, célebres ataques e equipes da Gávea. Defendeu o Manto Sagrado de 1954 até 1963, em 412 jogos. Marcou 216 gols, sendo até hoje o terceiro maior artilheiro da história do clube. Atacante oportunista, com ótima impulsão, Henrique foi um centroavante de boa técnica, apesar do estilo rompedor. Além disso, era dotado de grande velocidade, coragem e visão de gol.

Henrique Frade nasceu no ano de 1934, em Formiga-MG. Começou pelo clube em 1954, mas só assumiu a posição de titular do time em 1957, com a saída de Índio para o Corinthians e de Evaristo para o Barcelona. Formou com Joel, Moacir, Dida e Babá um dos mais famosos ataques da história do Mengão de todos os tempos, conquistando os Campeonatos Cariocas de 1954/55/63 e o Torneio Rio-São Paulo de 1961. 

Atuou pela Seleção Brasileira de 1959 até 1961. Porém Henrique teve uma pequena frustração, pois foi o único atacante do Flamengo que não foi convocado por Vicente Feola para a disputa da Copa do Mundo de 1958. O atacante vinha de uma temporada formidável em 1957, onde marcou 46 gols em 54 jogos. O treinador convocou Joel, Moacir, Dida e Zagallo, mas optou por Mazzolla (Palmeiras) e Vavá (Vasco) para o lugar do artilheiro do Mengão. Disputou o Sul-americano de 1959, formando dupla com Pelé e ficando com o vice-campeonato invicto, pois o Brasil empatou na final com a Argentina, que se tornou campeã.

Seu jogo mais importante pelo time canarinho foi em 1959, no amistoso contra a Inglaterra no Maracanã, diante de quase 200 mil pessoas. Henrique deu o passe para o primeiro gol, de Julinho, que nesse jogo atuou no lugar de Garrincha e foi vaiado quase o jogo todo, e marcou o segundo na vitória do Brasil de 2 x 0.

Saiu do Flamengo em 1963 emprestado para jogar no Nacional-URU e se tornar Campeão Uruguaio. De volta ao Flamengo, foi emprestado à Portuguesa em 1964, onde passou a ser chamado de Henrique Frade, pois naquela época a Lusa tinha um lateral-esquerdo chamado Henrique Pereira e o sobrenome Frade foi usado para a diferenciação entre os dois. Em 1965 transferiu-se para o Atlético-MG, e encerrou a carreira em 1967 atuando pelo Formiga, clube de sua cidade natal.   

O ex-jogador morreu em 2004. Henrique morava no Rio de Janeiro e desde 1997 sofria com problemas de locomoção causados por uma fratura mal calcificada de uma de suas pernas.

Henrique é um dos Heróis do Mengão!

domingo, 21 de agosto de 2011

O Caçador de Marajás

Bujica comemorando um dos seus gols contra o Vasco.

"Depois do Flamengo, tudo parecia pequeno. Fui criado vivendo uma dimensão que nenhum outro clube conseguiria me proporcionar."

O autor da frase acima é Marcelo Ribeiro, atacante revelado na Gávea e conhecido pelo apelido de Bujica. Nascido em Cachoeiro do Itapemirim (RJ), no ano de 1969, Bujica entrou para a galeria de heróis rubro-negros ao marcar dois gols no Vasco da Gama, na partida que marcaria o confronto entre Flamengo e o recém saído do clube, Bebeto.

Jogador que se destacava pela correria e disposição dentro de campo, Bujica, recebeu o apelido de Caçador de Marajás, pois no ano de 1989 o candidato à Presidência da República que viria a vencer a eleição, Fernando Collor, baseou sua campanha com o slogan "Caçador de Marajás", em referência ao combate a alguns funcionários públicos que recebiam salários altos e desproporcionais. Foi por um salário mais alto no Vasco que Bebeto saiu do Flamengo.

Flamenguista assumido, Bujica realizou cedo o sonho de jogar pelo Mengão, atuando nas categorias de base do clube, na mesma geração de Djalminha, Nélio e Júnior Baiano. Bujica foi inclusive artilheiro de todas as categorias pelas quais passou. Em 1989, com apenas 19 anos de idade, é chamado para o time principal para jogar ao lado dos seus ídolos Zico e Júnior. Tem suas primeiras chances em duas partidas amistosas, fazendo sua estreia em jogos oficiais no dia 29 de Julho, em partida contra o Blumenau pela Copa do Brasil, marcando dois gols. 

Após uma derrota para a Portuguesa, que deixava o clube em situação delicada no Campeonato Brasileiro, o Flamengo teria o clássico contra o Vasco, que estava embalado na competição, e que havia contratado Bebeto do próprio Flamengo, após negociação conturbada. Para fazer média com a torcida vascaína, o atacante havia prometido uma atuação de gala para o clássico contra o seu ex-clube. Assim, a mídia considerava o Vasco amplo favorito para o jogo. Os anos passam e eles nunca aprendem...

Comandado por Zico, que fez um discurso motivador no vestiário pedindo para que o time fosse para cima do Vasco de forma incansável, o Mengão vence a partida por 2x0, com Bujica marcando os dois gols e escrevendo seu nome na história do clube, tornando-se mais um dos Heróis do Mengão!

Bujica ao lado de Zico.
Bujica participou da despedida de Zico, na vitória por 5x0 sobre o Fluminense, sendo um dos autores dos gols da partida. Mas para a tristeza da torcida rubro-negra e de Bujica, o jogador foi negociado, contra sua vontade, com o Botafogo. Era a época da política "craque o Flamengo faz em casa... e vende por preço de banana!".

Pelo time alvinegro foi vice-campeão Brasileiro em 1992, e em um dos confrontos entre Flamengo e Botafogo pelo torneio nacional, marcou gol contra o seu clube de coração, o que foi considerado pelo jogador como uma das suas maiores tristezas.  

Bujica passou ainda pelo América-RJ, Fortaleza, Inter de Limeira, Campomaiorense (POR), Operário - onde se sagrou campeão estadual em 1995 e 1997, Bahia, Guabirá (BOL), Deportivo Águila (El Salvador), Alianza Lima (PER) - onde foi campeão Peruano em 1997 , LDU (EQU), Alegrense - sendo campeão estadual em 2002,  e Estrela do Norte. Em nenhum desses times obteu a alegria que viveu no pouco tempo em que atuou pelo Mengão.

Hoje Bujica mora no Rio Branco-AC, onde estuda Educação Física, visando se tornar treinador de futebol. Nem mesmo a distância diminui sua paixão pelo Flamengo, sendo sempre possível vê-lo comentando pelo seu twitter, @bujica99, sobre os assuntos do Mengão.

Bujica é um dos Heróis do Mengão!

domingo, 10 de julho de 2011

Pirilo, o 5° maior Artilheiro do Flamengo



Em 1945, no estádio de São Januário, o Flamengo aplicou a maior goleada de toda a história em um Fla-Flu. Comandado por Pirilo, que marcou quatro vezes, o Flamengo venceu a partida por 7x0. Mas quem foi Pirilo?

Centroavante rápido, de drible cortante e excelente visão de jogo, Pirilo chegou ao Flamengo em 1941, com a responsabilidade de substituir o grande Leônidas da Silva, que após ter brigado com a diretoria do clube seria vendido ao São Paulo. E aos poucos, fazendo muitos gols fez a torcida esquecer Leônidas. Com a incrível marca de 201 gols em 236 jogos, Pirilo é o quinto maior artilheiro da história do Flamengo, só perdendo em número de gols para Zico, Dida, Henrique e Romário. 

Silvio Pirilo Cesarino nasceu em Porto Alegre, no ano de 1916. Começou sua carreira em 1934, pelo Americano, antigo clube gaúcho. Foi para o Internacional, onde jogou entre 1936 e 1939, e lá começou a ganhar notoriedade ao substituir o centroavante Mancuso, maior ídolo do futebol gaúcho na época. Seu sucesso chamou atenção e logo foi contratado pelo Peñarol, numa época em que o futebol uruguaio costumava levar vários dos nossos principais jogadores. 

Durante uma excursão a Montevidéu, o então técnico do Flamengo, Flávio Costa, viu Pirilo em ação e recomendou sua contratação ao clube, que estava procurando desesperadamente um atacante goleador para substituir Leônidas da Silva. O Peñarol não pediu muito pelo seu passe, cobrando a quantia de vinte e cinco contos. Tal valor gerou dúvidas na torcida, “será que um jogador que custava vinte e cinco contos poderia substituir Leônidas?”. Pirilo veio para o clube sem saber que o Flamengo iria vender Leônidas e que ele teria de lutar contra o inventor da bicicleta. 

Fez sua estréia com o Manto Sagrado em 4 de maio de 1941, marcando três gols na goleada por 5x2 sobre o Madureira. Pirilo é o atacante com o melhor desempenho nas primeiras dez partidas pelo clube, com 14 gols marcados. Tal desempenho lhe rende o recorde de gols em uma mesma edição do Campeonato Carioca, com 39 gols. A maior marca anterior era exatamente de Leônidas, com 30 gols. 

Apesar do seu alto rendimento, o clube não é campeão, perdendo o título para o Fluminense, após a partida final terminar empatada em 2x2, sendo o autor dos dois gols do Flamengo. Esse jogo ficou conhecido como  o “Fla-Flu da Lagoa”, devido ao fato dos jogadores do Fluminense temendo a vitória do Flamengo, chutavam a bola para a Lagoa Rodrigo de Freitas para retardar o jogo. Como era preciso ir buscar a bola com barcos de remo, perdia-se muito tempo e o Flamengo não conseguiu vencer o jogo. 

Nos anos seguintes Pirilo conquistaria o primeiro Tricampeonato Carioca do clube, formando o histórico ataque com Valido, Zizinho, Perácio e Vevé. Foi pelo clube que chegou à Seleção Brasileira em 1942, fazendo cinco jogos e marcando seis gols. 

Pirilo teve um inimigo no futebol, Spineli jogador do Fluminense. No meio de um Fla-Flu, Pirilo e Spineli saltaram para cabecear uma bola. Ao descer da dividida, Spineli leva a mão à boca, e depois se vira para Pirilo tentando-lhe socar. O soco de Spineli passou por cima da cabeça de Pirilo, que se abaixou. O árbitro viu o lance e expulsou Spineli. Não adiantou Spineli mostrar sua boca sangrando e com quatro dentes da frente amolecidos, o árbitro não havia visto o lance de Pirilo. Depois disso, Pirilo ganhou má fama, bastava que ele entrasse na área para as pessoas ficarem esperando um lance maldoso. Em outro jogo, no Pacaembu, Pirilo deu outro soco em Spineli, mas dessa vez o soco de Spineli lhe atingiu. Os dois foram expulsos pelo juiz. Algum tempo depois Pedro Amorim, outro jogador do Fluminense, apresentou um jogador ao outro, e após muitas conversas os dois se entenderam virando até amigos. 

Pirilo ficou no Flamengo até 1947. Foi para o Botafogo em 1948 e também teve que fazer a torcida esquecer um grande ídolo do clube, Heleno de Freitas. Mais uma vez, conseguiu o feito, sendo Campeão Carioca no ano de sua estreia, ajudando a quebrar um jejum que se estendia desde 1935. Ficou no clube alvinegro até se aposentar em 1952. 

Após encerrar a carreira, tornou-se um treinador de sucesso, chegando inclusive a comandar a Seleção Brasileira. No comando da Seleção ficou marcado por ser o primeiro técnico a convocar o jovem Pelé, em 1957, para a disputa da Copa Roca contra os argentinos no Maracanã. Pirilo faleceu em 1991.

Pirilo é um dos Heróis do Mengão!

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Nonô, o artilheiro dos anos 20



Após mais um jogo do Mengão em que ficamos decepcionados com o poder ofensivo do time, refém do rodízio dos fracos atacantes do atual elenco, é consenso entre a torcida que precisamos de um matador, daqueles que impõem medo à zaga adversária. A torcida que acompanhava o clube durante a década de 20 sabe bem o que é  isso, porque naquela época existia um grande atacante que assombrava a zaga adversária, o artilheiro Nonô.

Nonô era o apelido de Claudionor Gonçalves da Silva, atacante nascido no Rio de Janeiro em 1899. Jogador de grande estatura, utilizava-se dessa característica para assombrar as zagas adversárias e deixar a sua marca de artilheiro. Nonô foi o maior artilheiro do clube durante a década de 20, e é até hoje o 14° maior artilheiro da história do clube, tendo marcado 123 gols em 143 jogos disputados, no período de 1920 até 1930. Pelo clube, conquistou três Campeonatos Cariocas, em 1921/1925/1927. Além disso, fez parte da geração que profissionalizou o futebol no clube.

Apesar de ter nascido no Rio de Janeiro, Nonô iniciou sua carreira no Palestra Itália, o atual Palmeiras, em 1919, sendo Campeão Paulista em 1920. O bom desempenho na campanha do time despertou o interesse do Flamengo, que o contrataria ainda naquele ano. 

No ano seguinte Nonô mostra a que veio, e com 11 gols é o artilheiro do Campeonato Carioca, ajudando o clube na conquista do Bicampeonato em 1921, formando uma bela dupla com Sidney Pullen. Em 1923 repete a dose, é artilheiro novamente do Carioca, mas dessa vez com 17 gols. 

Para quem achava que já estava bom, o melhor de Nonô ainda estava por vir, pois em 1925 alcança a artilharia do Carioca com incríveis 29 gols, sendo peça-chave no time que conquistaria o Campeonato Carioca daquele ano. Na temporada atingiria a marca de 30 gols em 21 partidas.

Infelizmente a carreira de Nonô é interrompida de forma precoce, aos 32 anos, pois em 1931 vem a falecer de tuberculose. Certamente teria feito ainda mais gols, ajudando o clube durante mais alguns anos, talvez com ainda mais conquistas.

Nonô é um dos Heróis do Mengão!

terça-feira, 7 de junho de 2011

Riemer e Pullen

Ricardo Riemer
Nesse post falaremos sobre dois jogadores que estiveram presentes nos primeiros títulos do Flamengo, o Bicampeonato Carioca de 1914/1915, os companheiros de time Ricardo Riemer e Sidney Pullen, que juntos levaram o time à conquista do Carioca de 1915 de forma invicta.

Ricardo Riemer foi um dos primeiros artilheiros do clube, sendo inclusive o maior goleador rubro-negro na década de 10. Jogou no clube de 1913 até 1918, marcando 55 gols em 68 partidas. O atacante conquistou ao todo oito títulos pelo clube, sendo os mais importantes os dois primeiros títulos do clube, o Bicampeonato Carioca de 1914/15. Além disso, foi o maior artilheiro do time por três anos seguidos, em 1914/15/16.

Riemer foi responsável direto pelo primeiro título, pois durante a campanha marcou 14 gols nas 14 partidas disputadas, sendo que no jogo decisivo contra o São Cristóvão, que terminou 4x4, foi o autor de 3 gols.

Em 1915, formou com o meio-campo Pullen uma dupla "explosiva" que levaria o clube à conquista da competição de forma invicta. Riemer esteve em ótima forma, obtendo a incrível marca de 18 gols em 15 jogos.

Nascido em Southampton, na Inglaterra, Sidney Pullen vem para o Brasil ainda criança, devido à transferência de trabalho do seu pai, Hugh Pullen. Em 1910, Pullen começa a jogar no Paysandu, time que possuía forte ligações com os ingleses, sendo Campeão Carioca em 1912, justamente sobre o Flamengo, que acabava de formar seu time de futebol e contava com parte do elenco campeão da edição anterior pelo Fluminense.

Com apenas 17 anos, é o destaque da conquista, sendo decisivo inclusive nos confrontos diretos com o Flamengo, vitória por 2x1 e empate de 1x1, onde acaba marcando nas duas partidas. Tais resultados são determinantes para o título, pois a diferença para o Flamengo ficou em apenas dois pontos. Seu futebol chama a atenção do Mengão, mas o jogador rejeita a transferência, devido à forte ligação com os ingleses. Acaba tendo que voltar atrás de sua decisão em 1915, pois o Paysandu encerra as atividades após perder o título do ano anterior para o Flamengo.

Transfere-se para o Flamengo e marca seu primeiro gol no dia 2 de Maio de 1915, numa partida contra o Rio Cricket, um empate por 2x2. Junto com Pullen vai para o Flamengo também o seu pai, que assume a tesouraria do clube e é o responsável pelo time adotar o uniforme Cobra Coral.

Jogador de muita mobilidade, dificultando a marcação adversária, e dono de uma canhota habilidosa, Pullen tinha uma grande capacidade de enxergar o jogo, sendo responsável por muitas assistências. Além disso, era um líder nato, orientando, cobrando e motivando seus companheiros em campo. Entende-se rápido com Riemer, e juntos lideram o time na conquista do Carioca de 1915, o Bi. É inclusive o vice-artilheiro do time na competição, com 6 gols.

O alto rendimento em campo lhe rende o que é até hoje um fato inédito: é o único estrangeiro a atuar com a camisa da Seleção Brasileira. Disputou o Campeonato Sul-Americano de 1916 na Argentina, jogando em três partidas. No mesmo ano recebe uma outra convocação, mas dessa vez nada agradável: é chamado pela Inglaterra para lutar na Primeira Guerra Mundial, afastando-se assim do Flamengo e do futebol.

Seria por pouco tempo, pois retorna já em 1917, e para sua casa, a Gávea. Em seu retorno obtém algumas conquistas em torneios de pouca expressão, mas o clube amargaria um jejum no Campeonato Carioca de cinco anos. O jejum só viria a terminar em 1920, emendado logo com o Bicampeonato no ano seguinte.

Motivado e em seu auge físico e técnico, Pullen encanta a todos. Versátil, chega a atuar como atacante, meia avançado, mais recuado e até como zagueiro. Sua visão de jogo faz com que seus companheiros fossem sempre presenteados com passes açúcarados. É a sua consagração definitiva, sendo alçado ao posto de maior ídolo do clube.

Sidney Pullen jogou no Flamengo de 1915 até 1923, conquistando um total de 17 títulos com o Manto Sagrado. Com 130 jogos disputados é o oitavo estrangeiro com mais partidas disputadas pelo clube. Marcou 47 gols, sendo o quarto maior artilheiro estrangeiro da história do clube.

Em 1925, após ter se aposentado, faz parte do Ground Committe, uma espécie de comissão técnica que escalava a equipe na época, ajudando a montar o que foi considerado o primeiro esquadrão do clube, o time que seria Campeão Carioca e que possuía vários jogadores de seleção, liderados pelo artilheiro Nonô. Mas isso já é outra história...
Sidney Pullen


Ricardo Riemer e Sidney Pullen são Heróis do Mengão!