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quinta-feira, 15 de setembro de 2011

O Servílio do Flamengo


É normal no futebol alguns jogadores receberem apelido pela semelhança com um outro atleta. Obina, por exemplo, recebeu esse apelido por parecer com um jogador nigeriano que atuava nas categorias de base do Vitória. O meia Lucas do São Paulo era até pouco tempo chamado de Marcelinho, pela semelhança com o ex-meia do Flamengo e Corinthians. 

Na década de 50 o meia do Flamengo José Lucas foi apelidado pelos companheiros do time de Servílio, por ter uma forte semelhança física com o atacante do Corinthians de mesmo nome.

Servílio era nascido em Vargem Grande (RJ), no ano de 1929. Foi um meio-campista de bastante qualidade que protegia o esquema defensivo do time Tricampeão Carioca em 1953/5455 ao lado de nomes como Dequinha e Jordan. Defendeu o Manto Sagrado em 107 partidas, entre 1953 e 1956, marcando somente dois gols. Seu gol mais marcante pelo Flamengo foi na goleada histórica do Flamengo sobre o sueco Combinado de Uweea,  9x0. 

Saiu do clube no final de 1956, transferindo-se para o Botafogo. No ano seguinte jogando ao lado de nomes  como Nilton Santos e Didi tornou-se pela quarta vez Campeão Carioca. Servílio era o responsável por proteger a defesa alvinegra, e assim o fez com muito êxito, como nos anos anteriores pelo Flamengo. 

Posteriormente veio a jogar no São Paulo e no Sport Recife, mas sua melhor fase foi mesmo no futebol carioca. Servílio faleceu de infarto no estado de São Paulo, em 2001, aos 73 anos.

Servílio é um dos Heróis do Mengão!

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

O Monstro Merica



Valdemiro Lima da Silva, o Merica foi um volante que jogou no Flamengo entre 1975 e 1978. Nascido no ano de 1953, em Santo Amaro da Purificação (BA), começou sua carreira defendendo outro Flamengo, o time do seu bairro. Em seguida foi para o Ideal de Santo Amaro, ainda como amador. Em 1973 transferiu-se para o Atlético de Alagoinhas (BA), onde começou jogando de meia-esquerda. Já atuando mais recuado, chamou a atenção junto com seu companheiro Dendê, do comentarista da Rádio Tupi, Carlos Marcondes que cobria uma partida do seu time. Foi indicado para o Flamengo e para o Vasco, e acabou indo com seu companheiro de clube para o Mengão. 

Sozinho em uma cidade grande, Merica sofreu de saudades da família até conseguir se adaptar ao Rio de Janeiro. Foi através de seus companheiros de clube que o tímido jogador foi se soltando. Rondinelli, Zico, Júnior e principalmente Geraldo, foram os responsáveis por enturmar o jogador através de muitas brincadeiras e zombações. 

Merica tinha a missão de substituir Liminha, que perto de sair do time lhe apontou como seu substituto ideal. Baixo, era muito raçudo, veloz e jogava para o grupo. Aplicado taticamente era muito eficiente no combate. Se tornou titular absoluto do time e caiu nas graças da torcida. Foi num amistoso contra o Internacional a partida que lhe alçou a esse posto. Caçapava era um jogador com fama de jogar duro, mas ao disputar uma bola com Merica, recuou e tirou o pé na dividida. 

Em 1976 em um clássico Fla x Flu, foi expulso após Rivelino lhe acertar sem bola e forjar um revide. O árbitro Airton Vieira de Morais caiu na cena do tricolor e expulsou injustamente Merica, que partiu pra cima de Rivelino numa tentativa, sem êxito, de justificar o cartão recebido.

Uma série de contusões fez com que perdesse sua vaga no time, e acabou saindo do clube em 1978, antes do início da explosão do time que viria conquistar o Tricampeonato Carioca, os Brasileiros, a Libertadores e o Mundial. Fez 183 jogos e marcou nove gols, conquistando onze títulos pelo clube, mas nenhum deles de expressão. 

Merica passou ainda por América (RJ), Sport (PE) e Confiança (SE). Hoje mora em Alagoinhas (BA) onde ainda disputa suas peladas. 

Merica é um dos Heróis do Mengão!

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Volante, o jogador que batizou uma posição!




Você consegue imaginar um jogador exercer tão bem uma função ao ponto de seu nome, ou apelido, passar a ser a denominação de uma posição dentro de campo? Se você acha que isso é um exagero, é porque nunca ouviu falar do argentino Volante, jogador que "batizou" a posição do jogador de meio-campo responsável por proteger a zaga, o também chamado "cabeça-de-área".

Carlos Martin Volante foi um argentino que jogou no Flamengo de 1938 a 1943. Fez 164 jogos com o Manto Sagrado, sendo até hoje o sexto jogador estrangeiro com maior número de jogos pelo clube. Balançou a rede adversária quatro vezes.

Nascido em Lanús, no ano de 1911, Volante começou sua carreira profissional em 1928, no Platense-ARG. No ano seguinte foi transferido para o San Lorenzo onde ficou por dois anos. Seu bom desempenho chama a atenção do futebol europeu, e disputa a temporada 1931-1932 pelo Napoli, rodando nas temporadas seguintes por outros clubes italianos, como o Livorno (1932-1933) e o Torino (1933-1934). Na temporada seguinte vai para o futebol francês e joga pelo Rennes (1934-1935), Lille (1935-1936) e CA Paris (1937-1938).

Sua experiência na Europa não foi de muito sucesso, prova disso é que na Copa do Mundo de 1938, na França, justo na época em que atuava no país, Volante fez um "bico" na Seleção Brasileira, trabalhando como massagista na nossa delegação. É justamente após essa "aproximação" do futebol brasileiro, que Volante é contratado pelo Mengão.

Raçudo, fazia a proteção da zaga, sendo o responsável por fazer a bola passar da defesa para o meio-campo. Seu ótimo desempenho resultou nas conquistas do Campeonato Carioca de 1939 e 1942/43, os dois primeiros títulos do primeiro Tricampeonato Carioca do clube. Não fechou a conquista em 1944 porque se aposentou.

Após a aposentadoria no campo, Volante virou treinador, e comandou diversas equipes brasileiras como o Internacional; o Vitória, sendo Bicampeão Baiano em 1953, encerrando o fim do jejum de títulos do clube; e o Bahia, comandando o time no jogo extra da final da Taça Brasil de 1959.

Volante é um dos Heróis do Mengão!

sexta-feira, 29 de julho de 2011

O Carregador de Pianos



No modesto Votuporanguense, time que disputava a série B do Campeonato Paulista, dois jogadores se destacavam, Cardosinho por seu talento e Liminha que apresentava muita disposição para marcar o time adversário. Um dos olheiros do Flamengo assistiu a uma partida do modesto time paulista e indicou a contratação de Cardosinho. Existe uma lenda na Gávea de que Liminha foi contratado apenas como contra-peso nessa negociação. Cardosinho, o habilidoso e talentoso da dupla contratada, fez 24 jogos, ficou no clube por pouco mais de um ano e depois sumiu. Liminha disputou 513 partidas, sendo até hoje o oitavo jogador com mais partidas disputadas pelo clube. 

Liminha era o apelido de João Crevelim, paulista de Tietê (SP), nascido no ano de 1944. De família pobre, começou a trabalhar ainda menino como lavador de garrafas em uma destilaria. Começou no futebol pelo clube paulista Votuporanguense, e em 1968 chegou ao Flamengo, onde ficou até se aposentar em 1975. 

Por atuar ao lado de Carlinhos, que era chamado de Violino, Liminha foi apelidado de Carregador de Pianos. Do falecido locutor Waldir Amaral também recebeu o apelido de “Motorzinho da Gávea”. Extremamente eficiente e muito raçudo, conquistou um total de 28 títulos pelo clube, sendo os mais importantes dois Campeonatos Cariocas em 1972 e 1974. 

Marcou 29 gols pelo Mengão, sendo o primeiro deles já na sua segunda partida pelo clube, na derrota por 5 a 2 para o Guarani. Seu gol mais importante foi o primeiro gol que abriu a goleada por 5x2 sobre o Fluminense, jogo que deu ao Flamengo o título do Campeonato Carioca de 1972. 

Um caso curioso que demonstra o amor e a dedicação de Liminha pelo Flamengo, foi um Flamengo x Vasco em que o Mengão precisava desesperadamente da vitória, Liminha então prometeu que em caso de resultado positivo faria uma corrida do Maracanã até a concentração do time em São Conrado. Após o jogo, pagou a promessa e percorreu a pé longos quilômetros até São Conrado. 

Liminha também foi importante na vida de um certo garoto que começava a sua carreira como jogador do clube. Como morava em Engenho de Dentro, dava carona ao mais famoso morador de Quintino até a Gávea. Apesar dessa intimidade, não era Zico quem despertava maior carinho e admiração de Liminha, e sim outro meia, Geraldo. Em entrevistas Liminha sempre contou que era muito apegado e grudado a Geraldo, e nunca escondeu que o achava melhor jogador do que Zico. Infelizmente o destino não quis assim... 

Após se aposentar Liminha virou treinador das categorias de base, passando pelo time de juniores do Flamengo e acumulando alguns títulos. No ano de 2005, Liminha treinou o time B do Flamengo na Copa Record, um torneio disputado por profissionais, mas por ser disputado ao mesmo tempo em que o Brasileirão o Flamengo mandou o time de juniores e mais alguns jogadores não aproveitados no elenco. Foi campeão do torneio em cima do Olaria numa disputa de pênaltis, e em sete partidas obteve quatro vitórias, dois empates e apenas uma derrota. Seu desempenho fez com que fosse sondado para assumir a equipe principal nos primeiros jogos de 2006 até a chegada do técnico Valdir Espinosa, mas quem acabou realizando esse papel foi Adílio. Atualmente Liminha trabalha nas divisões de base do Mengão. 

Como treinador das categorias de base Liminha já deu sua opinião do porque de vários talentos do clube não terem dado certo no time principal. Para ele a culpa dos inúmeros casos de fracasso é a pressão que dão aos garotos recém saídos dos juniores de ainda novos terem que resolver. Para ele os garotos devem subir todos juntos, entrando numa equipe já com base pronta, com uma equipe estruturada para os receber. Certíssimo, não? Que essa lição de Liminha seja usada com essa nova safra de jovens talentosos que esta sendo formada pelo Mengão!

Liminha é um dos Heróis do Mengão!

terça-feira, 12 de julho de 2011

O paraguaio Modesto Bria



Modesto Bria foi um paraguaio que Ary Barroso foi buscar em Assunção para brilhar no Flamengo. Volante de estilo clássico, Bria foi o ponto de equilíbrio de uma linha média que contava ainda com Biguá e Jaime de Almeida, trio que foi fundamental na conquista do primeiro Tricampeonato Carioca da história do clube. Sua paixão pelo Flamengo fez com que adotasse o Brasil como segunda pátria, vivendo aqui até sua morte, em 1996 no Rio de Janeiro. 

Nasceu em Encarnación, em 1922, e começou sua carreira no Nacional, em 1940. Com grandes atuações chama a atenção e é contratado em 1943 pelo Flamengo através de Ary Barroso. Rubro negro fanático, o compositor foi ao Paraguai de voo fretado para não chamar a atenção dos dirigentes do time local, que quando perceberam já tinham perdido a sua grande promessa. 

Modesto Bria jogou por dez anos no Mengão, disputando ao todo 369 jogos e marcando 8 gols. Conquistou os dois últimos títulos da campanha do Tricampeonato Carioca de 1942/43/44 e o título Carioca de 1953, que viria culminar no segundo Tricampeonato Carioca do clube. Depois de encerrar a carreira Bria virou treinador das categorias de base e teve cinco passagens como técnico do time principal. Como jogador defendeu também a Seleção do Paraguai. 

Como treinador das categorias de base, Bria foi importante na formação de vários jogadores que viriam a fazer parte da Geração de Ouro do Mengão na década de 80. Quando treinava o time juvenil do Flamengo, em 1967, foi apresentado pelo radialista Celso Garcia a um menino franzino apelidado de Zico. Por conta do físico frágil do menino relutou em lhe dar uma oportunidade: “Espere aí, você está de brincadeira! Disse que ia trazer um garoto e trouxe um menino. Nós estamos fazendo aqui um trabalho sério de futebol e não fundando um berçário!”, disse Bria. Sem graça Celso Garcia pediu ao menos alguns minutos de chance para o garoto. Bria cedeu. Na primeira bola que Zico recebeu jogou a bola entre as pernas do zagueiro. Na segunda, deixou o ponta-direita na cara do gol. Durante o resto do treino o menino continuou a impressionar a todos com belas jogadas e não saiu mais do time. 

Outro grande ídolo do clube com quem Bria esteve diretamente ligado foi Júnior. Nosso eterno Maestro jogava algumas peladas na praia, e foi assistindo a uma dessas peladas que Modesto Bria, convidou o ambidestro Júnior para fazer testes entre os jovens rubro-negros. Aprovado, Júnior é até hoje o jogador que mais defendeu o Manto Sagrado.

Mozer deve boa parte do sucesso que obteve em sua carreira a Modesto Bria, o responsável por mudar a sua posição em campo. Mozer começou como atacante, mas Bria dizia que ele não passava de um centroavante deselegante, sem muito futuro no futebol. Mozer virou zagueiro, e é considerado por muitos o segundo maior de sua posição em toda história do clube. 

Nem só de acertos nas categorias de base viveu Bria. Antes de se profissionalizar no futebol, Nunes fez testes na escolinha do Flamengo, sendo dispensado pelo técnico paraguaio. Ao deixar a Gávea, Nunes profetizou: “Um dia eles vão me querer de volta, mas aí terão que desembolsar muito dinheiro”. Dito e feito! Alguns anos mais tarde, Nunes seria contratado para fazer história com a camisa 9 do Mengão.  

Como treinador do time principal, foram 83 jogos, com 45 vitórias, 15 empates e 21 derrotas. Modesto Bria era o treinador do time na maior goleada do Flamengo em Campeonatos Brasileiros Flamengo 8 x 0 Fortaleza, em 4 de fevereiro de 1981.

Modesto Bria é um dos Heróis do Mengão

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Você conhece o Dequinha?


Quando decidi criar o blog, fiquei pensando sobre qual dos nossos heróis falaria no post de estreia. Entre tantos jogadores da vasta lista de craques que defenderam o nosso Manto, quem seria o primeiro? Falar sobre o Deus Zico, ou qualquer outro jogador daquele esquadrão de 1981, seria muito óbvio, e pouco impactante para um "lançamento". Para chamar a atenção deveria ser um dos grandes heróis que pouco são valorizados pelo clube, o que faria com que talvez até alguns dos mais fanáticos conhecedores do Mengão o desconhecessem. Vendo o meu acervo sobre o Mengão (que incluem livros, revistas e jornais antigos), encontrei uma escalação do time do Flamengo de todos os tempos, da Série Grandes Clubes, publicada pelo Lance! em 1999. Como camisa 5, desse que seria o Flamengo perfeito, estava Dequinha. Pronto, escolha feita! Tenho certeza de que muitos rubro-negros pouco sabem desse grande Herói do Mengão!

Confesso que "conheço" o Dequinha faz apenas 3 anos. Após o FlorminenC ser vice da Libertadores em 2008, em um dos intervalos de aula na faculdade, tirando onda com a cara de amigos tricoletes, desafiei um deles a encontrar mais de 10 ídolos tricolores. Depois de uma semana, este amigo postou em nossa comunidade no orkut a lista, bem forçada, com cerca de 20 jogadores considerados ídolos por eles. Não satisfeito, o fanfarrão me desafiou a encontrar o mesmo número de ídolos do Mengão que não fossem da geração de 80. Como bom flamenguista, aceitei o desafio, e um dia depois postei uma lista com no minímo o dobro da postada por ele. "Descobri" vários jogadores que até então não conhecia, entre eles estava o Dequinha.

Dequinha era o apelido de José Mendonça dos Santos, jogador que atuou pelo Mengão como volante e algumas vezes até como lateral. Nascido em Mossoró (RN), fez sucesso no Nordeste atuando pelo Atlético de Mossoró, Potiguar, ABC e América-PE, antes de se transferir para o Flamengo em 1950, onde jogou até 1959. Com o Manto Sagrado conquistou 14 títulos, sendo o mais importante a conquista do Tricampeonato Carioca em 1953/54/55. Atuou em 384 jogos e marcou 8 gols pelo clube. Além disso, jogando pelo Flamengo, chegou à Seleção Brasileira, disputando a Copa do Mundo da Alemanha, em 1954.

Sua contratação envolveu um fato curioso. Dequinha era um mito no futebol nordestino, e quando o Mengão quis contratá-lo, os torcedores do América-PE tentaram impedir a venda do craque. Para nossa sorte, o presidente do clube pernambucano, Rubem Moreira, era flamenguista doente, e autorizou a venda do craque assim mesmo. Tudo pelo amor ao Mengão!

Dequinha era dono de um estilo clássico e possuia um toque de bola requintado, sendo considerado um dos últimos grandes centro-médios do futebol brasileiro. Possuia uma ótima resitência física para a época, o que lhe permitia auxiliar o meia Rubens na criação das jogadas de ataque do time, além de proteger a defesa. Era conhecido pelas grandes arrancadas e pelos longos lançamentos que gostava de fazer. Ao se aposentar cedeu lugar ao então promissor Carlinhos.

Numa época onde temos que "aturar" o Cazaubê Jr. (vulgo Fernando) com o Manto, nada melhor do que relembrar um dos grandes volantes que atuaram pelo Flamengo.

Dequinha é um dos Heróis do Mengão!