quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Blog

Em respeito aos seguidores e leitores aqui do blog gostaria de avisar que devido a falta de tempo não estou postando mais aqui. Aceitei o convite do blog FlaManolos para escrever por lá, nos mesmos moldes daqui. Os posts antigos continuarão aqui, mais novos só sairão por lá.
Para quem curte e conhece o FlaManolos é só acompanhar por lá. Para quem não conhece ainda, é uma ótima oportunidade de conhecer. Existe um link aqui no blog para lá, é só clicar!

SRN!

domingo, 9 de outubro de 2011

Chiquinho Pastor



Há um grande número de jogadores que seguem fervorosamente uma religião, ou por já serem religiosos antes de começar a carreira, por procurarem a fé para manter seu foco na carreira, ou até mesmo para buscar na fé esperanças de uma vida melhor. Existe até mesmo uma parcela de jogadores denominados "Atletas de Cristo". Dentre todos os atletas religiosos, nosso homenageado nesse post é o ex-zagueiro Chiquinho.  

Francisco Jesus Fernandes nasceu no Rio de Janeiro, em 1946. Começou sua carreira no Botafogo e ganhou o apelido de Chiquinho Pastor pelas comuns pregações religiosas que fazia dentro dos vestiários antes dos jogos. Pelo clube alvinegro apesar de ser campeão diversas vezes pelos times das categorias de base do clube, profissionalmente conquistou apenas uma Taça Guanabara e uma Taça Brasil. 

No ano de 1972 transferiu-se para o Mengão, onde atingiu sua melhor fase, conquistou seus maiores títulos e o status de zagueiro xerife. Atuou com ReyesRodrigues NetoLiminha, Doval entre outros grandes nomes que defenderam o clube na década de 70. Chiquinho também teve a honra de acompanhar de perto o inicio de carreira do maior de todos, Zico. 

Fez 108 partidas vestindo o Manto Sagrado, sem ter marcado nenhum gol. Foi Campeão Carioca em 1972 e 1974 . Seu alto rendimento no Flamengo lhe rendeu a convocação para a Seleção Brasileira pelo técnico Zagallo, que acreditava muito em Chiquinho, chegando a apontá-lo como um dos maiores zagueiros do mundo. Em 1973 realizou duas partidas, contra Argélia e Bolívia, mas não conseguiu se firmar no time canarinho. 

Saiu do clube em 1974 para jogar no Grêmio, e retornou ao Botafogo em 1975, onde encerrou sua carreira. Após se aposentar Chiquinho se dedicou à vida religiosa, chegando a se tornar vice-presidente da Igreja Messiânica Mundial do Brasil, sendo um dos responsáveis pela expansão da mesma na Angola e em todo o continente africano. 

Em 2010, com 63 anos de idade, Chiquinho sofreu uma forte torção no joelho e teve que iniciar tratamento, mas seu quadro evoluiu para uma infecção generalizada que não pode ser revertida, e o ex-zagueiro faleceu. 

Chiquinho é um dos Heróis do Mengão!

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Paulo Henrique, o substituto de Nilton Santos na Seleção



O jogador homenageado no post de hoje é um dos grandes laterais-esquerdos da história do clube, Paulo Henrique. Entre os diversos títulos e jogos pelo clube, Paulo Henrique também contribuiu para o futuro do clube, pois é pai de Paulo Henrique Souza de Oliveira Filho, ou apenas Paulo Henrique, atacante do Flamengo de 1984 até 1985, que hoje é o técnico que comanda os juniores do clube. 

Paulo Henrique Souza de Oliveira nasceu em Quissamã, no ano de 1943. Começou sua carreira jogando pelo Quissamã Futebol Clube, uma equipe amadora de sua cidade. De lá saiu para o Flamengo onde começou a jogar profissionalmente. Jogador técnico e hábil, tanto na marcação quanto no apoio, Paulo Henrique foi dono da lateral esquerda do Mengão por doze anos, de 1960 a 1972, sendo o capitão do clube durante a década de 60. Defendeu o Manto Sagrado em 437 jogos, e marcou 14 gols. Conquistou 19 títulos, dentre eles os Campeonatos Cariocas de 1963, 1965 e 1972 e o Torneio Rio-São Paulo de 1961.

Em 1966 foi convocado pelo Técnico Vicente Feola junto com Silva para defender a Seleção Brasileira na Copa do Mundo na Inglaterra. Essa foi uma marca significativa em sua carreira, pois foi o jogador escolhido para substituir o lendário Nilton Santos em Copas do Mundo. Fez duas partidas, na vitória contra a Bulgária, o último jogo da dupla Pelé e Garrincha, e na derrota de 3x1 para a Hungria. Ao todo foram 13 partidas pela Seleção Brasileira.

Em 1971 foi emprestado ao Botafogo, numa troca por Roberto Miranda, e participou do time que conseguiu o vice-campeonato carioca e brasileiro daquele ano. Voltou para o Flamengo onde conquistou mais um Campeonato Carioca em 1972. No meio daquele ano, Paulo Henrique já tinha acertado a sua transferência para o America (RJ) quando surgiu uma proposta do Avaí. O Flamengo que tinha boas relações com o clube catarinense, liberou o jogador e abriu mão de receber uma compensação financeira. O lateral recebeu Cr$3.500,00 de luvas e ordenados, e comentou na época que aceitou ir para o Avaí porque havia iniciado sua carreira no juvenil do Flamengo, em 1959 com Walter Miraglia, e que treinava o Avaí  naquele ano.

Campeão Catarinense em 1973, Paulo Henrique se aposentou em 1974. Logo se tornou treinador, começando sua carreira no Campos Associação, extinto clube de Campos, onde dirigiu seu ex-companheiro de clube Murilo em fim de carreira. Comandou também Goytacaz, Americano, Portuguesa-RJ, América-RN, Remo, Seleção de Omã, Internacional de Lajes-SC, Rio Branco-ES, América-RJ e Quissamã.

Paulo Henrique é um dos Heróis do Mengão!

sábado, 1 de outubro de 2011

O matador Benitez



1949, Campeonato Sul-Americano disputado no Brasil. Em São Januário, Brasil e Paraguai se enfrentam e empatam em 1x1, resultado este que daria o título aos brasileiros. Um jovem chamado Benitez penetra a zaga do time canarinho como um raio, e marca o gol da vitória, por sinal até hoje a última vitória paraguaia em solo brasileiro. O nome do jovem jogador é Benitez, que nessa mesma competição marcou 4 gols em uma partida, na goleada de 7 X 0 sobre a Bolívia, sendo até hoje o jogador que mais marcou gols em uma única partida pela seleção Paraguaia.

Jorge Duílio Benitez Candia nasceu em Yaguaron, no ano de 1927. Iniciou sua carreira em 1945, jogando pelo Nacional do Paraguai. Foi Campeão Paraguaio em 1946, mas se destacou mesmo no Campeonato Sul-Americano de 1949. Após o torneio transferiu-se para o Boca Juniors, onde foi Vice-Campeão da primeira divisão argentina em 1950. Fez 18 gols em 44 jogos pelo Boca, antes de se transferir para o Flamengo em 1952.

Alto e forte, Benitez era um atacante matador. Logo em seu ano de estreia mostrou a que veio, sendo o artilheiro do Mengão na temporada com 27 gols em 32 jogos. A adaptação ao clube foi ótima, principalmente porque jogou junto com seu companheiro de seleção paraguaia, o goleiro Garcia. Foi o artilheiro do Campeonato Carioca de 1953 com 22 gols, ajudando o clube na conquista do Tricampeão Carioca em 1953/54/55. Jogou até 1956 no clube, quando quebrou a perna.

Em 115 jogos defendendo o Manto Sagrado, fez 76 gols, o que rende a Benitez até hoje o posto de segundo jogador estrangeiro que mais marcou gols pelo Flamengo, atrás apenas do argentino Doval. É ainda o nono jogador estrangeiro com mais jogos pelo clube.

Benítez é um dos Heróis do Mengão!

domingo, 25 de setembro de 2011

Henrique, o 3° maior goleador do Mengão!



Henrique marcou época no Flamengo comandando com sua camisa 9, célebres ataques e equipes da Gávea. Defendeu o Manto Sagrado de 1954 até 1963, em 412 jogos. Marcou 216 gols, sendo até hoje o terceiro maior artilheiro da história do clube. Atacante oportunista, com ótima impulsão, Henrique foi um centroavante de boa técnica, apesar do estilo rompedor. Além disso, era dotado de grande velocidade, coragem e visão de gol.

Henrique Frade nasceu no ano de 1934, em Formiga-MG. Começou pelo clube em 1954, mas só assumiu a posição de titular do time em 1957, com a saída de Índio para o Corinthians e de Evaristo para o Barcelona. Formou com JoelMoacir, Dida e Babá um dos mais famosos ataques da história do Mengão de todos os tempos, conquistando os Campeonatos Cariocas de 1954/55/63 e o Torneio Rio-São Paulo de 1961. 

Atuou pela Seleção Brasileira de 1959 até 1961. Porém Henrique teve uma pequena frustração, pois foi o único atacante do Flamengo que não foi convocado por Vicente Feola para a disputa da Copa do Mundo de 1958. O atacante vinha de uma temporada formidável em 1957, onde marcou 46 gols em 54 jogos. O treinador convocou JoelMoacir, Dida e Zagallo, mas optou por Mazzolla (Palmeiras) e Vavá (Vasco) para o lugar do artilheiro do Mengão. Disputou o Sul-americano de 1959, formando dupla com Pelé e ficando com o vice-campeonato invicto, pois o Brasil empatou na final com a Argentina, que se tornou campeã.

Seu jogo mais importante pelo time canarinho foi em 1959, no amistoso contra a Inglaterra no Maracanã, diante de quase 200 mil pessoas. Henrique deu o passe para o primeiro gol, de Julinho, que nesse jogo atuou no lugar de Garrincha e foi vaiado quase o jogo todo, e marcou o segundo na vitória do Brasil de 2 x 0.

Saiu do Flamengo em 1963 emprestado para jogar no Nacional-URU e se tornar Campeão Uruguaio. De volta ao Flamengo, foi emprestado à Portuguesa em 1964, onde passou a ser chamado de Henrique Frade, pois naquela época a Lusa tinha um lateral-esquerdo chamado Henrique Pereira e o sobrenome Frade foi usado para a diferenciação entre os dois. Em 1965 transferiu-se para o Atlético-MG, e encerrou a carreira em 1967 atuando pelo Formiga, clube de sua cidade natal.   

O ex-jogador morreu em 2004. Henrique morava no Rio de Janeiro e desde 1997 sofria com problemas de locomoção causados por uma fratura mal calcificada de uma de suas pernas.

Henrique é um dos Heróis do Mengão!

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

O Servílio do Flamengo


É normal no futebol alguns jogadores receberem apelido pela semelhança com um outro atleta. Obina, por exemplo, recebeu esse apelido por parecer com um jogador nigeriano que atuava nas categorias de base do Vitória. O meia Lucas do São Paulo era até pouco tempo chamado de Marcelinho, pela semelhança com o ex-meia do Flamengo e Corinthians. 

Na década de 50 o meia do Flamengo José Lucas foi apelidado pelos companheiros do time de Servílio, por ter uma forte semelhança física com o atacante do Corinthians de mesmo nome.

Servílio era nascido em Vargem Grande (RJ), no ano de 1929. Foi um meio-campista de bastante qualidade que protegia o esquema defensivo do time Tricampeão Carioca em 1953/5455 ao lado de nomes como Dequinha e Jordan. Defendeu o Manto Sagrado em 107 partidas, entre 1953 e 1956, marcando somente dois gols. Seu gol mais marcante pelo Flamengo foi na goleada histórica do Flamengo sobre o sueco Combinado de Uweea,  9x0. 

Saiu do clube no final de 1956, transferindo-se para o Botafogo. No ano seguinte jogando ao lado de nomes  como Nilton Santos e Didi tornou-se pela quarta vez Campeão Carioca. Servílio era o responsável por proteger a defesa alvinegra, e assim o fez com muito êxito, como nos anos anteriores pelo Flamengo. 

Posteriormente veio a jogar no São Paulo e no Sport Recife, mas sua melhor fase foi mesmo no futebol carioca. Servílio faleceu de infarto no estado de São Paulo, em 2001, aos 73 anos.

Servílio é um dos Heróis do Mengão!

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Amado e os "casos"...



Amado Benigno foi um goleiro que atuou pelo clube de 1923 até 1934, fazendo 124 partidas com o Manto Sagrado. Nascido em Manaus, no ano de 1903, estreiou pelo Flamengo no dia 6 de maio de 1923, na vitória por 3x1 sobre o São Cristóvão. Conquistou três títulos pelo clube, o mais importante entre eles foi o Campeonato Carioca de 1927. É o 15° goleiro com mais jogos pelo clube. Jogou também uma vez pela Seleção Brasileira, em um amistoso Brasil 4 x 2 Rampla Juniors-URU, em 1929, no estádio de São Januário. 

Amado revesava no gol do Flamengo com outros goleiros, até se firmar como titular em 1926. Em 1927 vem sua consagração com o título Carioca, um dos títulos mais importantes conquistados pelo clube até então, pois a Associação Paulista de Sports Athléticos havia suspendido o Paulistano, e o Flamengo cedeu o campo da Rua Paissandu para que o time paulista disputasse alguns amistosos nesse período. Como retaliação e apoio político à entidade paulista, a Associação Metropolitana de Esportes Athléticos suspendeu o Mengão por um ano. 

Impedidos de jogar, alguns jogadores do Flamengo deixaram o clube. A punição porém foi revogada, e o clube teve que reconstruir o seu elenco, contratando antigos jogadores e incorporando algumas revelações como Flávio Costa. Apesar de todas as dificuldades no início do campeonato, como a goleada de 9 x 2 sofrida para o Botafogo, o time reagiu e conquistou o título estadual ao vencer na última rodada o América, jogo esse do histórico gol de Moderato.

Na véspera da final do Campeonato Carioca de 1928, que poderia dar o Bicampeonato ao Flamengo, o jogador Preguinho do Fluminense, que disputou a Copa do Mundo de 1930 no Uruguai, recebeu um  telegrama supostamente enviado pelo goleiro do Flamengo, Amado. “És sopa! Amanhã não farás gol!”. O atacante tricolor revoltado, respondeu  dizendo: “Farei dois gols, no mínimo”. 

No primeiro minuto de jogo, Amado falhou ao repor a bola em jogo e Preguinho fez 1 x 0. Aos 10 minutos do primeiro tempo, Preguinho ampliou. Promessa cumprida, infelizmente pra nós. O resultado do jogo foi 4 x 1 para o Fluminense, que venceu o campeonato. Só muito tempo depois se veio descobrir que Amado jamais havia lhe mandado qualquer telegrama, e a "provocação" foi obra de um sócio do Fluminense, Affonso de Castro, o Castrinho.

Quando jogava no Flamengo, Amado chegou também a dar uma de olheiro para o clube, pois ao observar um garoto que jogava nas categorias de base do Fluminense o convidou para jogar no Flamengo. Seu "assédio" porém não foi bem sucedido, mas não foi culpa dele. O grande problema foi que esse garoto se chamava Oscar Niemeyer, e o mesmo não aceitou o convite, pois não pretendia seguir carreira como jogador de futebol, que na época era um esporte amador e não permitia que os atletas sobrevivessem daquilo. Amado, por exemplo, era médico, profissão que continuou a exercer após encerrar sua carreira de jogador. O ex-jogador faleceu em 1965.

Amado é um dos Heróis do Mengão!

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Adalberto e o papel higiênico




O futebol já perdeu grandes talentos devido à séries lesões, como o holandês Marco Van Basten. O Flamengo também perdeu uma de suas grandes revelações, o lateral-esquerdo apontado como o sucessor de Júnior, Adalberto. Jogador com excelente técnica e força, conquistou sete títulos pelo clube,  disputando 185 jogos com o Manto Sagrado e marcando sete gols. 

Nascido no Rio de Janeiro, em 1964, Adalberto Machado foi criado nas categorias de base do Flamengo, sendo Campeão Carioca Juvenil em 1981. Foi Campeão Sul-Americano e Mundial, pela Seleção Brasileira de Juniores em 1983, com os Tetracampeões Taffarel, Jorginho, Dunga e Bebeto. Fez no total 10 jogos pela Seleção, participando dos Jogos Pan-Americanos na Venezuela, em 1983, e do Torneio Pré-Olímpico em 1984.  

Após os títulos com a Seleção Brasileira Adalberto foi promovido para a equipe profissional, fazendo sua estreia em 1983, num jogo do Campeonato Brasileiro contra o Guarani-SP. Júnior jogou como lateral-direito abrindo espaço para a promessa das categorias de base. O jogo terminou empatado em 0x0. Sua exibição agradou o técnico Carlos Alberto Torres que o colocaria em sua partida de estreia no comando do time contra o Corinthians. Estava no elenco que conquistou o Campeonato Brasileiro de 1983. 

Seu primeiro gol pelo Flamengo veio no ano seguinte, no seu segundo jogo na temporada, contra o Brasil-RS no Campeonato Brasileiro, mas Adalberto firmou-se na equipe apenas em 1985, tendo uma atuação memorável na goleada imposta sobre o Botafogo por 6×1, onde marcou dois gols. O clube alvinegro vivia melhor momento na competição, e os chorafoguenses resolveram provocar o Mengão levando toneladas de papel higiênico ao Maracanã, dizendo que o Flamengo “se borrava de medo” ao os enfrentar. 

A resposta veio em campo, e de virada! O Botafogo marcou com Elói. Em seguida Adalberto tabelou com Adílio na entrada da área e tocou na saída do goleiro Luís Carlos para empatar a partida. Depois, em bela jogada de linha de fundo, serviu Chiquinho que marcou o quarto. Perto do final do jogo, fez mais um driblando até o goleiro alvinegro para fazer o quinto. A revista Placar coroou sua atuação com uma rara nota 10. Adalberto ainda respondeu aos torcedores rivais em entrevista após o jogo: “Papel higiênico, se sobrou, é para eles enxugarem as lágrimas de 17 anos sem título!”.

Em 1986 foi titular do time Campeão Carioca, mas num jogo entre Flamengo e Botafogo-PB pelo Brasileiro, em Caio Martins, o atacante Porto acertou uma entrada por trás violentíssima que provocou fratura na tíbia direita de Adalberto. A recuperação foi lenta e sofrida. Adalberto ficou cerca de meio ano parado, só voltou em março de 1987, passando toda aquela temporada tendo problemas físicos diversos, mas consagrando-se Tetracampeão Brasileiro. 

Adalberto passou todo o ano de 1988 trabalhando para tentar uma solução definitiva para suas contusões. Em 1º de abril de 1989, após mais de um ano e meio sem jogar, chegou a participar de parte de um amistoso contra o América de Três Rios (RJ), mas não conseguiu sequer terminar a partida, abandonando a carreira com apenas 24 anos de idade.

Adalberto trabalhou como coordenador das categorias de base do CFZ, antes de embarcar para a Espanha a convite do amigo e também ex-lateral Mazinho. Lá ele exerceu a mesma função no Celta de Vigo, clube em que seu filho, o atacante Rodrigo Machado da seleção da Espanha sub-20, começou a jogar.

Adalberto é um dos Heróis do Mengão!

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

O Monstro Merica



Valdemiro Lima da Silva, o Merica foi um volante que jogou no Flamengo entre 1975 e 1978. Nascido no ano de 1953, em Santo Amaro da Purificação (BA), começou sua carreira defendendo outro Flamengo, o time do seu bairro. Em seguida foi para o Ideal de Santo Amaro, ainda como amador. Em 1973 transferiu-se para o Atlético de Alagoinhas (BA), onde começou jogando de meia-esquerda. Já atuando mais recuado, chamou a atenção junto com seu companheiro Dendê, do comentarista da Rádio Tupi, Carlos Marcondes que cobria uma partida do seu time. Foi indicado para o Flamengo e para o Vasco, e acabou indo com seu companheiro de clube para o Mengão. 

Sozinho em uma cidade grande, Merica sofreu de saudades da família até conseguir se adaptar ao Rio de Janeiro. Foi através de seus companheiros de clube que o tímido jogador foi se soltando. Rondinelli, Zico, Júnior e principalmente Geraldo, foram os responsáveis por enturmar o jogador através de muitas brincadeiras e zombações. 

Merica tinha a missão de substituir Liminha, que perto de sair do time lhe apontou como seu substituto ideal. Baixo, era muito raçudo, veloz e jogava para o grupo. Aplicado taticamente era muito eficiente no combate. Se tornou titular absoluto do time e caiu nas graças da torcida. Foi num amistoso contra o Internacional a partida que lhe alçou a esse posto. Caçapava era um jogador com fama de jogar duro, mas ao disputar uma bola com Merica, recuou e tirou o pé na dividida. 

Em 1976 em um clássico Fla x Flu, foi expulso após Rivelino lhe acertar sem bola e forjar um revide. O árbitro Airton Vieira de Morais caiu na cena do tricolor e expulsou injustamente Merica, que partiu pra cima de Rivelino numa tentativa, sem êxito, de justificar o cartão recebido.

Uma série de contusões fez com que perdesse sua vaga no time, e acabou saindo do clube em 1978, antes do início da explosão do time que viria conquistar o Tricampeonato Carioca, os Brasileiros, a Libertadores e o Mundial. Fez 183 jogos e marcou nove gols, conquistando onze títulos pelo clube, mas nenhum deles de expressão. 

Merica passou ainda por América (RJ), Sport (PE) e Confiança (SE). Hoje mora em Alagoinhas (BA) onde ainda disputa suas peladas. 

Merica é um dos Heróis do Mengão!

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

O calculista ponta-direita Joel


"Fui titular na Seleção e jogo pelo Flamengo. O que mais posso querer na minha vida?" O dono dessa frase é Joel, o habilidoso ponta-direita que defendeu o Manto Sagrado e se tornou ídolo da Nação Rubro-Negra na década de 50. É considerado o maior ponta-direita do clube e um dos melhores jogadores da história do Flamengo, sendo presença garantida em muitas escalações do Flamengo de todos os tempos. Marcou 115 gols em 404 jogos, sendo o 16° maior artilheiro do Mengão.

Joel Antônio Martins nasceu no Rio de Janeiro, em 1931. Revelado pelo Botafogo, se transferiu para o Flamengo em 1950, numa transação que envolveu muito chororô pelo lado dos nossos rivais. O time alvinegro acusou o Flamengo de aliciar o jogador e ameaçou romper relações com o clube. Para manter uma relação amigável o Mengão decidiu pagar Cr$100 mil ao Botafogo. Flamenguista desde criança, Joel sempre afirmou que defender o Manto Sagrado foi um sonho realizado.

O investimento foi muito lucrativo, pois dentro de campo Joel foi um dos destaques do Flamengo durante a década de 50. Ao lado de Rubens, Dida, Zagallo e Evaristo, formou o time que recebeu o apelido de "Rolo Compressor", considerado um dos maiores ataques da história do Clube, e que conquistou o Tricampeonato Carioca em 1953/54/55.

Craque cerebral, inicialmente gerou dúvida nos comentaristas, pois alguns diziam que seu jeito frio e calculista não combinava com a vibração e alegria do futebol brasileiro. Joel concluía com eficiência e se destacava por seus cruzamentos em curva sempre perfeitos, e de vez em quando, na direção do gol surpreendendo não só os zagueiros como os goleiros. Foi com cruzamentos assim que deu passes para dois dos três gols do Mengão na final do Campeonato Carioca de 1954, contra o América RJ.

Joel foi um dos seis jogadores do clube que faziam parte da Seleção Brasileira que conquistou a Copa do Mundo em 1958. Fez os dois primeiros jogos como titular, mas perdeu a posição para Garrincha. Jogou pela Seleção em 15 partidas entre 1957 e 1961, marcando 4 gols. 

Após a Copa foi vendido ao Valência, mas retornou ao clube em 1961, se tornando Campeão do Torneio Rio-São Paulo, inclusive marcando um dos gols do jogo decisivo contra o Corinthians.

Em sua volta ao clube, Joel foi vítima de uma grande humilhação. No dia da decisão do título carioca de 1962, o técnico Flávio Costa mandou parar o ônibus do clube na Praia do Flamengo e mandou Joel descer, pois havia escolhido Espanhol para começar o jogo. O resultado não foi nada positivo pro Mengão. Garrincha acabou com o jogo, o Botafogo venceu por 3 a 0, conquistou o Bicampeonato Carioca e Espanhol não jogou nada. 

Talvez por isso Joel transferiu-se para o Vitória em 1963, onde se aposentou em 1964. Joel continuou trabalhando no Flamengo, nas divisões de base tendo a missão de reconhecer os talentos que chegavam na Gávea.

Joel morreu de insuficiência cardíaca em 2003. Foi velado no Salão Nobre da Gávea e sepultado no cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro, com a bandeira do Flamengo no peito.

Joel é um dos Heróis do Mengão!

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

A superação de Moacir



O futebol é uma das maiores oportunidades de ascensão social em nosso país. Um garoto que mora em uma comunidade pobre sem acesso a boas escolas, o que acaba dificultando suas oportunidades, estaria provavelmente fadado a viver toda sua vida naquele ambiente. Ser abençoado com o talento para conduzir a bola dentro dos gramados amplia seu horizonte de vida. Nesse post contaremos a história de um jogador que superou as dificuldades da vida e venceu, mas que por uma tragédia hoje passa por sérias dificuldades.

Moacir Claudino Pinto nasceu em São Paulo no ano de 1936. Aos seis anos fugiu de casa após ser agredido e trancado com as galinhas como castigo por ter perdido o dinheiro do pai enquanto jogava futebol na rua. Foi parar numa delegacia, e depois de três dias sem nenhuma procura de seus pais e dos seus oito irmãos, foi enviado para um orfanato em Osasco. Ficou durante 11 anos nesse orfanato, até que o diretor do local, amigo do presidente do Flamengo na época, Gilberto Cardoso, sabendo do talento do menino o recomendou para treinar no clube.

Moacir foi para o Rio treinar no juvenil do Mengão, sendo aprovado e passando a morar na concentração do clube. O Flamengo virou sua casa e família. Quando já estava jogando no time titular, foi fazer um jogo contra o Corinthians em São Paulo. No hotel, sua mãe e seus irmãos o procuraram. O jogador ajudou sua família no início, mas depois que foi jogar no exterior perdeu novamente o contato.

Moacir foi um meia  magro e ágil, de drible fácil e de toques precisos que jogou no Flamengo de 1956 até 1962. Foi pelo clube que chegou à Seleção Brasileira, conquistando a Copa do Mundo, em 1958. O camisa 13 perdeu sua posição de titular antes da competição para Didi. Disputou sete jogos e marcou dois gols. Conquistou também a Copa Roca em 1957 e a Taça do Atlântico de 1960.

No seu começo no Flamengo teve a responsabilidade de substituir o ídolo do clube Doutor Rúbis. Formou um ataque poderoso no clube com Joel, Dida e Zagallo. Tal entrosamento foi inclusive aproveitado na Seleção, já que todos foram campeões mundiais com ele em 1958. Foram 237 jogos e 59 gols marcados. Conquistou seis títulos, sendo o mais importante o Torneio Rio-São Paulo em 1961.

Transferiu-se para o River Plate (ARG) em 1962 por um salário cinco vezes maior. Não deu certo e foi pro Peñarol ainda no mesmo ano, sendo Campeão Uruguaio logo em seu ano de estreia. Em 1963 se transfere para o Everest (EQU)  e em 1964 vai para o Barcelona (EQU). Aposentou-se em 1966 sendo Campeão Equatoriano. Quando se aposentou, começou a ensinar garotos a jogar bola, assumindo a função de treinador. Em 1986 classificou a seleção infantil do Equador ao Mundial da categoria. 

Moacir é muito querido no país, sendo ídolo da torcida do Barcelona de Guayaquil. É considerado um dos maiores jogadores da história do clube. Mora até hoje no Equador, mas após ter câncer de próstata teve que se afastar do cargo de diretor de uma escola de futebol em Guayaquil. O jogador esta passando por dificuldades financeiras, e precisa de ajuda para se sustentar.

Moacir é um dos Heróis do Mengão!  

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

O arisco e driblador Vevé



Hoje em dia quando assistimos aos jogos do Flamengo e sentimos o time lento e com pouca ofensividade pedimos das arquibancadas, ou de casa, a entrada do jovem Negueba. Jogador que parte pra cima dos adversários com seus dribles rápidos, o prata-da-casa é sinônimo de futebol ofensivo e alegre. Décadas atrás era outro jogador franzino que fazia a alegria dos torcedores do Mengão com seus dribles, Vevé!

Vevé foi um ponta-esquerda arisco e driblador que atuou no Flamengo de 1941 até 1948. Fez 213 jogos com o Manto Sagrado e marcou 92 gols. É considerado um dos mais ofensivos pontas da história do Flamengo, brigando com Moderato, Zagallo e Paulo César Lima pela "vaga" de ponta-esquerda no time do Flamengo de todos os tempos.

Vevé, o Everaldo Paes de Lima, nasceu em Belém-PA no ano de 1918. Começou sua carreira jogando pelo Remo. Em 1939 se transfere para o Galícia, onde se consagra Campeão Baiano no ano de 1941. O sucesso pelo clube baiano chama a atenção do Flamengo que lhe contrata no mesmo ano.

Magro e baixo, Vevé era rápido nos deslocamentos, o que lhe permitia driblar com facilidade todos os marcadores que apareciam pelo caminho. Mesmo possuindo um chute fraco, finalizava com precisão. Essas características o fizeram ser considerado um dos jogadores mais queridos pela torcida do Mengão em todos os tempos. Um dos jogos memoráveis de Vevé foi a disputa entre o Campeão Carioca e o Campeão Paulista de 1942. O Flamengo venceu o Palmeiras por 2x1, e Vevê foi o autor dos dois gols do time.

Vevé foi Tricampeão Carioca em 1942/43/44, sendo um dos artilheiros do time durante toda a campanha, com um total de 31 gols. Seu alto rendimento lhe rendeu a convocação para disputar o Campeonato Sul-Americano de 1945 com a Seleção Brasileira.

Por causa de uma contusão crônica em seu joelho esquerdo, Vevé encerrou sua carreira de forma prematura, em 1948. Após a aposentadoria forçada, Vevé acabou se tornando um homem triste, fato agravado por uma paixão não correspondida. O ex-jogador se entregou-se à bebida e morreu no ano de 1952, com apenas 34 anos. 

Vevé é um dos Heróis do Mengão!

domingo, 21 de agosto de 2011

O Caçador de Marajás

Bujica comemorando um dos seus gols contra o Vasco.

"Depois do Flamengo, tudo parecia pequeno. Fui criado vivendo uma dimensão que nenhum outro clube conseguiria me proporcionar."

O autor da frase acima é Marcelo Ribeiro, atacante revelado na Gávea e conhecido pelo apelido de Bujica. Nascido em Cachoeiro do Itapemirim (RJ), no ano de 1969, Bujica entrou para a galeria de heróis rubro-negros ao marcar dois gols no Vasco da Gama, na partida que marcaria o confronto entre Flamengo e o recém saído do clube, Bebeto.

Jogador que se destacava pela correria e disposição dentro de campo, Bujica, recebeu o apelido de Caçador de Marajás, pois no ano de 1989 o candidato à Presidência da República que viria a vencer a eleição, Fernando Collor, baseou sua campanha com o slogan "Caçador de Marajás", em referência ao combate a alguns funcionários públicos que recebiam salários altos e desproporcionais. Foi por um salário mais alto no Vasco que Bebeto saiu do Flamengo.

Flamenguista assumido, Bujica realizou cedo o sonho de jogar pelo Mengão, atuando nas categorias de base do clube, na mesma geração de Djalminha, Nélio e Júnior Baiano. Bujica foi inclusive artilheiro de todas as categorias pelas quais passou. Em 1989, com apenas 19 anos de idade, é chamado para o time principal para jogar ao lado dos seus ídolos Zico e Júnior. Tem suas primeiras chances em duas partidas amistosas, fazendo sua estreia em jogos oficiais no dia 29 de Julho, em partida contra o Blumenau pela Copa do Brasil, marcando dois gols. 

Após uma derrota para a Portuguesa, que deixava o clube em situação delicada no Campeonato Brasileiro, o Flamengo teria o clássico contra o Vasco, que estava embalado na competição, e que havia contratado Bebeto do próprio Flamengo, após negociação conturbada. Para fazer média com a torcida vascaína, o atacante havia prometido uma atuação de gala para o clássico contra o seu ex-clube. Assim, a mídia considerava o Vasco amplo favorito para o jogo. Os anos passam e eles nunca aprendem...

Comandado por Zico, que fez um discurso motivador no vestiário pedindo para que o time fosse para cima do Vasco de forma incansável, o Mengão vence a partida por 2x0, com Bujica marcando os dois gols e escrevendo seu nome na história do clube, tornando-se mais um dos Heróis do Mengão!

Bujica ao lado de Zico.
Bujica participou da despedida de Zico, na vitória por 5x0 sobre o Fluminense, sendo um dos autores dos gols da partida. Mas para a tristeza da torcida rubro-negra e de Bujica, o jogador foi negociado, contra sua vontade, com o Botafogo. Era a época da política "craque o Flamengo faz em casa... e vende por preço de banana!".

Pelo time alvinegro foi vice-campeão Brasileiro em 1992, e em um dos confrontos entre Flamengo e Botafogo pelo torneio nacional, marcou gol contra o seu clube de coração, o que foi considerado pelo jogador como uma das suas maiores tristezas.  

Bujica passou ainda pelo América-RJ, Fortaleza, Inter de Limeira, Campomaiorense (POR), Operário - onde se sagrou campeão estadual em 1995 e 1997, Bahia, Guabirá (BOL), Deportivo Águila (El Salvador), Alianza Lima (PER) - onde foi campeão Peruano em 1997 , LDU (EQU), Alegrense - sendo campeão estadual em 2002,  e Estrela do Norte. Em nenhum desses times obteu a alegria que viveu no pouco tempo em que atuou pelo Mengão.

Hoje Bujica mora no Rio Branco-AC, onde estuda Educação Física, visando se tornar treinador de futebol. Nem mesmo a distância diminui sua paixão pelo Flamengo, sendo sempre possível vê-lo comentando pelo seu twitter, @bujica99, sobre os assuntos do Mengão.

Bujica é um dos Heróis do Mengão!

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Murilo, zagueiro ou lateral?

 
Quando procuramos informações de jogadores que fizeram história no futebol, às vezes nos deparamos com informações contraditórias. Em alguns casos a grafia do nome do jogador é encontrada diferente. Em outros, o tempo em que jogou em determinado clube não bate. Em outros casos são os números de partidas e/ou gols que não é unanimidade entre as fontes de informação.

O caso mais curioso que me deparei até agora foi o de Murilo, ex-lateral direito do Flamengo na década de 60. No Flapedia e em outras fontes ele é apontado como zagueiro, mas não era zagueiro e sim lateral! Tanto que esteve na pré-lista de 47 jogadores convocados por Vicente Feola para disputar a Copa do Mundo de 1966, ficando de fora, pois os convocados foram Djalma Santos e Fidélis, ambos laterais.

Paulo Murilo Frederico Ferreira nasceu em 1939, no Rio de Janeiro. Começou sua carreira no Olaria, em 1959, onde ficou até 1962. No ano seguinte foi contratado pelo Flamengo.

Jogador de muita técnica, Murilo era um lateral que atacava muito, mas que não comprometia a defesa. Jogou no Mengão até 1971, conquistando um total de doze títulos, sendo os mais importantes o Campeonato Carioca em 1963 e 1965. Jogou em 448 jogos e marcou 3 gols.

Foi jogando pelo Flamengo que Murilo foi convocado para a Seleção Brasileira, disputando um jogo em 1966 e outro em 1968.

Após sair do clube foi para o Tiradentes-PI, sendo Campeão Piauiense em 1972. Em 1974 se transferiu para o River-PI, onde se aposentou em 1975. Começou então sua carreira como treinador, e se consagrou Campeão Estadual em 1976 pelo Flamengo-PI. Hoje Murilo é dono de uma escolinha de futebol.

Murilo é um dos Heróis do Mengão!

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

O lateral Rodrigues Neto


Lateral de vocação ofensiva, com passagem pela Seleçäo Brasileira, andarilho do futebol e que fez história pelo Flamengo... Não, não se trata do Léo Moura. O jogador em questão é Rodrigues Neto, lateral esquerdo que defendeu o Flamengo entre 1967 e 1975.

Apesar de sua vocação ofensiva, Rodrigues Neto era um bom marcador. Era baixo, mas viril, sendo muito respeitado por seus adversários. Se destacava também por ter um chute muito potente e certeiro de direita, o que lhe rendeu a marca de trinta gols com o Manto Sagrado.

Nascido em Central-MG, no ano de 1949, José Rodrigues Neto começou sua carreira jogando pelo Vitória-ES, em 1965. Em 1967 é contratado pelo Flamengo, onde fica até 1976, quando vai pro Fluminense, no troca-troca que trouxe Toninho Baiano, Carlos Alberto Torres, Roberto e Zé Roberto pro Flamengo, enquanto Rodrigues Neto, Doval, Renato e Paulinho Amorim saíram do clube. No rival conquista o Campeonato Carioca daquele ano. Em 1978 se transfere para o Botafogo, sendo posteriormente convocado para a Copa do Mundo, onde fez quatro partidas. No ano seguinte se transfere para o futebol argentino, indo jogar no Ferro Carril Oeste. Em 1981 volta ao país para jogar pelo Internacional, consagrando-se Campeão Gaúcho. Volta à Argentina em 1982, para defender o Boca Juniors. Sem sucesso em sua passagem pelo país vizinho, regressa ao Brasil, dessa vez para jogar pelo São Cristovão. No mesmo ano vai para o South Cinha, da China. No final da temporada de 1984 transfere-se para o Eastern Hong Kong.

Mas como diz o ditado, "o bom filho a casa torna", e em 1990 Rodrigues Neto volta a vestir o Manto Sagrado para fazer uma partida de despedida pelo Flamengo. Foram 439 jogos pelo clube, tendo conquistado um total de 20 títulos, onde se destacam o Campeonato Carioca de 1972 e 1974.

Após se aposentar virou técnico, tendo passagem pelo São Bento-MA. Hoje, Rodrigues Neto mora no Rio de Janeiro, trabalha na revelação de jogadores e joga pelo time de Masters do Flamengo.

Rodrigues Neto é um dos Heróis do Mengão!

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Reyes, o paraguaio pura simpatia



Aproveitando o embalo da primeira vitória do Mengão pela Copa Sul-Americana, nada melhor do que falar de um jogador sulamericano que marcou época no clube, o zagueiro Reyes, conhecido como o paraguaio pura simpatia, Campeão Carioca de 1972.

Francisco Santiago Reyes Villalba nasceu em Assunção, no ano de 1941. Começou sua carreira no Olímpia - PAR, em 1961, jogando como meio-campista. Logo foi deslocado para a zaga, onde se destacou, sendo Campeão Paraguaio em 1962 e 1965. Foi convocado para jogar pela Seleção do Paraguai, fazendo treze jogos no período de 1961 a 1966. Saiu do clube paraguaio em 1967, quando foi contratado pelo Flamengo. Vestiu o Manto Sagrado de 1967 à 1973, em 196 partidas, sendo o quinto estrangeiro com mais jogos pelo clube. Marcou sete gols.

Reyes se destacava fora dos campos através da simpatia com que tratava os torcedores. Dentro de campo era um símbolo da raça paraguaia, fato que logo o elevou ao status de ídolo do clube, mesmo tendo marcado um gol contra em uma derrota decisiva para o Fluminense.

Zagueiro de estilo clássico, com ótimo senso de cobertura, Reyes antecipava-se com perfeição e raramente fazia faltas. Por ser forte, era imbatível no jogo de corpo. Além disso, tinha excelente domínio de bola e sabia sair jogando muito bem, característica herdada da época de meio-campo.

Reyes foi o vencedor da primeira Bola de Prata, prêmio da revista Placar, em 1970, sendo considerado o melhor quarto zagueiro do Torneiro Roberto Gomes Pedrosa daquele ano. É considerado por muitos rubro-negros mais antigos como o segundo melhor zagueiro da história do clube, atrás apenas de Domingos da Guia.

Retornou ao Olímpia em 1973, sendo novamente Campeão Paraguaio em 1975. Reyes teve sua carreira encerrada precocemente, pois faleceu em 1976, vítima de leucemia.

Reyes é um dos Heróis do Mengão!

domingo, 7 de agosto de 2011

Hélcio, o último grande zagueiro da época do amadorismo


Assim que chegou ao Brasil o futebol era bastante diferente do que é hoje. Os jogos eram vistos como espetáculos, e a "platéia" ia assistir aos jogos de uma forma completamente diferente de hoje. Era a época do futebol amador, onde a maioria dos jogadores eram estudantes, ou trabalhadores "normais", e não pensavam em fazer carreira como jogador de futebol.

Foi nesse período que jogou Hélcio, o último grande zagueiro rubro-negro da época do amadorismo. Jogou pelo Flamengo de 1924 até 1931, num total de 141 jogos, onde marcou 6 gols. Pelo clube conquistou o Campeão Carioca em 1925 e 1927.

Hélcio de Paiva nasceu no Rio de Janeiro, no ano de 1903. Fez sua estreia pelo clube no dia 7 de Setembro de 1924, na vitória por 4 x 0 sobre o Vila Nova-MG. Bom no desarme e no jogo aéreo, Hélcio também era muito eficiente com a bola nos pés. Seu bom desempenho com o Manto Sagrado lhe garantiu uma passagem pela Seleção Brasileira entre 1925 e 1928, num total de cinco jogos. Disputou com a amarelinha o Campeonato Sul-Americano em 1925.

Um fato curioso sobre Hélcio fica por conta dos seus gols marcados, pois apesar de ser um grande zagueiro era um pouco "pé-frio". Sempre que marcava gols o Flamengo não vencia. Seu primeiro gol foi no empate por 2 x 2 com o Syrio e Libanês (RJ), no dia 18 de Julho de 1926. Marcou em 2 empates e 4 derrotas, sendo que dos seus 6 gols pelo clube, dois gols foram marcados contra o Bangu e outros dois contra o São Cristóvão.

Como muitos jogadores na época, Hélcio se afastou do futebol com a chegada do profissionalismo. Seguiu sua carreira e entrou para a lista de grandes zagueiros que passaram pelo Flamengo.

Hélcio é um dos Heróis do Mengão!

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Volante, o jogador que batizou uma posição!




Você consegue imaginar um jogador exercer tão bem uma função ao ponto de seu nome, ou apelido, passar a ser a denominação de uma posição dentro de campo? Se você acha que isso é um exagero, é porque nunca ouviu falar do argentino Volante, jogador que "batizou" a posição do jogador de meio-campo responsável por proteger a zaga, o também chamado "cabeça-de-área".

Carlos Martin Volante foi um argentino que jogou no Flamengo de 1938 a 1943. Fez 164 jogos com o Manto Sagrado, sendo até hoje o sexto jogador estrangeiro com maior número de jogos pelo clube. Balançou a rede adversária quatro vezes.

Nascido em Lanús, no ano de 1911, Volante começou sua carreira profissional em 1928, no Platense-ARG. No ano seguinte foi transferido para o San Lorenzo onde ficou por dois anos. Seu bom desempenho chama a atenção do futebol europeu, e disputa a temporada 1931-1932 pelo Napoli, rodando nas temporadas seguintes por outros clubes italianos, como o Livorno (1932-1933) e o Torino (1933-1934). Na temporada seguinte vai para o futebol francês e joga pelo Rennes (1934-1935), Lille (1935-1936) e CA Paris (1937-1938).

Sua experiência na Europa não foi de muito sucesso, prova disso é que na Copa do Mundo de 1938, na França, justo na época em que atuava no país, Volante fez um "bico" na Seleção Brasileira, trabalhando como massagista na nossa delegação. É justamente após essa "aproximação" do futebol brasileiro, que Volante é contratado pelo Mengão.

Raçudo, fazia a proteção da zaga, sendo o responsável por fazer a bola passar da defesa para o meio-campo. Seu ótimo desempenho resultou nas conquistas do Campeonato Carioca de 1939 e 1942/43, os dois primeiros títulos do primeiro Tricampeonato Carioca do clube. Não fechou a conquista em 1944 porque se aposentou.

Após a aposentadoria no campo, Volante virou treinador, e comandou diversas equipes brasileiras como o Internacional; o Vitória, sendo Bicampeão Baiano em 1953, encerrando o fim do jejum de títulos do clube; e o Bahia, comandando o time no jogo extra da final da Taça Brasil de 1959.

Volante é um dos Heróis do Mengão!

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

O paraguaio Sinforiano Garcia



Já vimos aqui no blog que muitos jogadores estrangeiros tiveram importância na história do Flamengo, alguns com gols, casos do argentino Valido e do sérvio Petkovic, outros criando jogadas de gol para seus companheiros, caso do inglês Sidney Pullen, e outros combatendo os ataques adversários, como o paraguaio Modesto Bria. Seguindo a nacionalidade do último, e de alguma forma a mesma função, está Sinforiano Garcia, o segundo goleiro estrangeiro a defender a meta do Mengão.

O primeiro estrangeiro a ser goleiro do time foi José Tunel Caballero, o Talladas, que jogou no clube em 1937, fez 18 jogos sem deixar nada de importante para o clube. Garcia, por outro lado, fez história na década de 50 tendo disputado 276 partidas e sendo um dos destaques do time na conquista do Tricampeonato Carioca de 1953/54/55.

Nascido em Puerto Pinasco, no ano de 1924, García começou sua carreira defendendo o Atlético Corrales-PAR, mas logo se transferiu para o Club Cerro Porteño. Em 1945, foi convocado pela primeira vez para a seleção paraguaia, onde disputou ao todo 20 partidas. Disputou os Campeonatos Sul-Americanos de 1947 e 1949, sendo vice-campeão nos dois torneios. No torneio de 1949 foi o destaque na vitória por 2x1 sobre o Brasil, forçando a realização de um jogo extra para decidir o título. Apesar da derrota por 7 a 0, chamou a atenção dos dirigentes do Mengão e foi contratado para defender o clube.

Considerado um dos maiores goleiros da história do clube, Garcia era um goleiro grandalhão, pouco ágil, mas de excelente colocação e reflexo apurado. Saía do gol com perfeição e com suas defesas seguras e muitas vezes arrojadas, Garcia logo caiu nas graças da torcida. Em 1950, sofreu uma fratura na cravícula, quase abandonando o futebol. Recuperou-se e participou da conquista do Tricampeonato Carioca em 1953/54/55, sendo um dos símbolos da equipe.

Deixou de jogar pelo Flamengo em 1958. Ao longo de quase 10 anos no clube, Garcia conquistou um total de doze títulos, e é até hoje o segundo jogador estrangeiro com mais partidas pelo clube, só perdendo para Modesto Bria com 369 jogos.

Após se aposentar como jogador, García foi treinador, e trabalhou no Cerro Porteño e no Brasil pelo Coritiba.

Sinforiano Garcia é um dos Heróis do Mengão!

sexta-feira, 29 de julho de 2011

O Carregador de Pianos



No modesto Votuporanguense, time que disputava a série B do Campeonato Paulista, dois jogadores se destacavam, Cardosinho por seu talento e Liminha que apresentava muita disposição para marcar o time adversário. Um dos olheiros do Flamengo assistiu a uma partida do modesto time paulista e indicou a contratação de Cardosinho. Existe uma lenda na Gávea de que Liminha foi contratado apenas como contra-peso nessa negociação. Cardosinho, o habilidoso e talentoso da dupla contratada, fez 24 jogos, ficou no clube por pouco mais de um ano e depois sumiu. Liminha disputou 513 partidas, sendo até hoje o oitavo jogador com mais partidas disputadas pelo clube. 

Liminha era o apelido de João Crevelim, paulista de Tietê (SP), nascido no ano de 1944. De família pobre, começou a trabalhar ainda menino como lavador de garrafas em uma destilaria. Começou no futebol pelo clube paulista Votuporanguense, e em 1968 chegou ao Flamengo, onde ficou até se aposentar em 1975. 

Por atuar ao lado de Carlinhos, que era chamado de Violino, Liminha foi apelidado de Carregador de Pianos. Do falecido locutor Waldir Amaral também recebeu o apelido de “Motorzinho da Gávea”. Extremamente eficiente e muito raçudo, conquistou um total de 28 títulos pelo clube, sendo os mais importantes dois Campeonatos Cariocas em 1972 e 1974. 

Marcou 29 gols pelo Mengão, sendo o primeiro deles já na sua segunda partida pelo clube, na derrota por 5 a 2 para o Guarani. Seu gol mais importante foi o primeiro gol que abriu a goleada por 5x2 sobre o Fluminense, jogo que deu ao Flamengo o título do Campeonato Carioca de 1972. 

Um caso curioso que demonstra o amor e a dedicação de Liminha pelo Flamengo, foi um Flamengo x Vasco em que o Mengão precisava desesperadamente da vitória, Liminha então prometeu que em caso de resultado positivo faria uma corrida do Maracanã até a concentração do time em São Conrado. Após o jogo, pagou a promessa e percorreu a pé longos quilômetros até São Conrado. 

Liminha também foi importante na vida de um certo garoto que começava a sua carreira como jogador do clube. Como morava em Engenho de Dentro, dava carona ao mais famoso morador de Quintino até a Gávea. Apesar dessa intimidade, não era Zico quem despertava maior carinho e admiração de Liminha, e sim outro meia, Geraldo. Em entrevistas Liminha sempre contou que era muito apegado e grudado a Geraldo, e nunca escondeu que o achava melhor jogador do que Zico. Infelizmente o destino não quis assim... 

Após se aposentar Liminha virou treinador das categorias de base, passando pelo time de juniores do Flamengo e acumulando alguns títulos. No ano de 2005, Liminha treinou o time B do Flamengo na Copa Record, um torneio disputado por profissionais, mas por ser disputado ao mesmo tempo em que o Brasileirão o Flamengo mandou o time de juniores e mais alguns jogadores não aproveitados no elenco. Foi campeão do torneio em cima do Olaria numa disputa de pênaltis, e em sete partidas obteve quatro vitórias, dois empates e apenas uma derrota. Seu desempenho fez com que fosse sondado para assumir a equipe principal nos primeiros jogos de 2006 até a chegada do técnico Valdir Espinosa, mas quem acabou realizando esse papel foi Adílio. Atualmente Liminha trabalha nas divisões de base do Mengão. 

Como treinador das categorias de base Liminha já deu sua opinião do porque de vários talentos do clube não terem dado certo no time principal. Para ele a culpa dos inúmeros casos de fracasso é a pressão que dão aos garotos recém saídos dos juniores de ainda novos terem que resolver. Para ele os garotos devem subir todos juntos, entrando numa equipe já com base pronta, com uma equipe estruturada para os receber. Certíssimo, não? Que essa lição de Liminha seja usada com essa nova safra de jovens talentosos que esta sendo formada pelo Mengão!

Liminha é um dos Heróis do Mengão!

terça-feira, 26 de julho de 2011

O Lateral Toninho Baiano


É sempre difícil para um jogador trocar de clube, caso esses sejam rivais. O estoque de paciência da torcida é bem baixo, principalmente se o jogador em questão fez sucesso no rival nos confrontos diretos ou conquistando títulos. Poucos são os casos daqueles jogadores que superam a desconfiança e obtém sucesso no novo clube. Um desses casos é o do lateral direito Toninho Baiano, que veio do Mengão após boa passagem pelo rival Fluminense.

Toninho Baiano era o apelido de Antônio Dias dos Santos, que nasceu no ano de 1948, em Vera Cruz (BA). Começou nas categorias de base do Galícia como ponta-esquerda. Com a contusão do lateral-direito do time, passa a jogar na lateral, chegando aos profissionais em 1967. No ano de 1969 foi vendido ao Fluminense, onde jogou até 1975, sendo Campeão Carioca em 1971, 1973 e 1975, além de conquistar o torneio Roberto Gomes Pedrosa, em 1970. No clube tricolor tornou-se um jogador polivalente, atuando nas duas laterais e nas duas pontas. 

Em 1976, após o técnico do Fluminense Didi declarar que Toninho sofria de um bloqueio mental, o lateral é envolvido numa troca entre Fluminense e Flamengo. Toninho Baiano, Carlos Alberto Torres, Roberto e Zé Roberto vieram pro Flamengo, enquanto Rodrigues Neto, Doval, Renato e Paulinho Amorim tiveram o dissabor de vestir a camisa tricolor. 

O início de sua passagem não foi fácil para Toninho, pois foi muito perseguido pela torcida, que lhe culpava pela saída do atacante argentino Doval, ídolo do clube. Dono de bom preparo físico, subia constantemente ao ataque, tornando-se uma importante arma ofensiva do time, e não fugia de divididas. Com essas características Toninho Baiano acabou conquistando a torcida, e em 1977, já era visto como um dos melhores laterais do país. As boas atuações com o Manto chamaram a atenção do técnico Cláudio Coutinho, que lhe convocou para a Copa do Mundo de 1978, junto com Nelinho, do Cruzeiro. Foi titular absoluto, só ficando de fora na decisão do terceiro lugar. Fez ao todo 27 partidas e 3 gols pela Seleção. 

Pelo Mengão participou de toda a campanha do Tricampeonato Carioca de 1978/79/79(especial) e do Campeonato Brasileiro de 1980. Em 241 jogos pelo clube, Toninho Baiano marcou 23 gols, número considerado alto para um lateral. Ficou no clube até 1980. 

No ano seguinte, especulava-se que ele ainda seria o lateral da Seleção na Copa do Mundo de 1982, mas sua saída para o Al Nasser da Arábia Saudita, encerrou essa possibilidade. Ficou no clube árabe até se envolver em uma tentativa frustrada de transferência para outro clube do país e voltou ao Brasil no mesmo ano. O Al Nasser, que pedia um valor muito alto para liberá-lo não quis o vender e o jogador ficou parado. Após algum tempo conseguiu uma liminar para jogar pelo Bangu, mas o clube árabe conseguiu cassar a liminar depois de quatro jogos e ele foi obrigado a se aposentar em 1982. Aposentado, passou a se dedicar a uma loja de materiais de construção que conseguiu abrir com o dinheiro recebido enquanto jogador. Toninho morreu de mal súbito no ano de 1999, em Salvador (BA).

Toninho Baiano é um dos Heróis do Mengão!

sábado, 23 de julho de 2011

Falar em Fair Play é lembrar de Jaime de Almeida!


Após o último jogo Flamengo x Palmeiras a expressão “Fair Play” foi muito utilizada devido às atitudes e declarações do atacante alviverde Kléber. A Nação não o perdoou e perdeu um bom tempo ofendendo o atacante que apresenta em seu currículo uma série de atitudes maldosas e muitas expulsões, polêmicas estas que são muito mais numerosas que os seus gols e os títulos que conquistou. Que tal usarmos o nosso tempo de forma mais produtiva e prazerosa? Ao invés de dar audiência pra um jogador de outro time, não é melhor dar audiência a um jogador do Flamengo que foi sinônimo de “Fair Play” enquanto atuou pelo Mengão? 

Se você se interessar lhe apresento Jaime de Almeida! Seu “Fair Play” era tanto que em uma partida foi capaz de cumprimentar um jogador adversário que havia feito um belo gol contra o Flamengo. Se fosse hoje em dia será que a torcida entenderia esse nobre gesto? Provavelmente não. Seria execrado pela torcida, taxado como traidor e sairia do clube pela porta dos fundos...

Jaime de Almeida foi um jogador que se destacou pela sua conduta correta, fato que lhe rendeu a marca de ser o primeiro jogador da Seleção Brasileira a conquistar o prêmio Belfort Duarte, em 1949. O prêmio Belfort Duarte, criado pelo Código Brasileiro Disciplinar de Futebol (CBDF) em 1946, era dado ao atleta que não tivesse sofrido qualquer punição esportiva durante dez anos, tendo esse jogador participado de pelo menos 200 jogos oficiais, entre campeonatos estaduais, nacionais e internacionais. 

Jaime de Almeida nasceu em São Fidelis (RJ), no ano de 1920, mas foi revelado pelo Atlético-MG, em 1936. Fez 25 jogos pelo clube, sem marcar gols, e em 1938 é vendido para o Flamengo. É no Mengão que faz história ganhando títulos, chegando a Seleção Brasileira e sendo escolhido no ano de 1946 o melhor lateral-esquerdo da América do Sul. 

Jogador eficiente na marcação e no apoio, numa época em que poucos executavam essa função, formou com Biguá e Bria a linha que protegia a defesa do Mengão durante a conquista do Tricampeonato Carioca de 1942/43/44. Defendeu a Seleção entre 1944 e 1946, fazendo 15 jogos e  marcando um gol. 

Como jogador do Flamengo jogou durante doze anos, de 1938 até 1950, fazendo 342 jogos e marcando 31 gols. Conquistou dez títulos pelo clube, sendo os mais importantes os quatro Campeonatos Cariocas, em 1939/1942/43/44. Após se aposentar virou técnico do clube, e comandou a equipe em 69 jogos, obtendo 32 vitórias, 20 empates e 17 derrotas. 

Faleceu no ano de 1973, em Lima (PER), onde morava após treinar o Alianza Lima, de 1961 a 1966. O seu filho, que também se chama Jaime de Almeida, já jogou pelo clube, sendo zagueiro na década de 70, e hoje é auxiliar técnico do Luxemburgo.

Jaime de Almeida é um dos Heróis do Mengão!

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Nem a apendicite parava Moderato...



Até onde vai o amor de um jogador pelo clube? Falar nisso hoje em dia parece papo de gente inocente, pois esse "amor" acaba quando pinta a primeira "proposta irrecusável". Mas isso é de hoje, antigamente existia sim AMOR ao clube. Nós já vimos aqui no blog atletas que voltaram da sua aposentadoria para atuar pelo Mengão, casos de Píndaro em 1920 e Valido em 1944. Mas ninguém arriscou sua vida pelo clube como Moderato.

Moderato foi um ponta-esquerda do Flamengo de 1923 a 1930, que defendeu o Manto em 147 jogos, marcando 27 gols. Esse desempenho lhe garantiu a marca de sétimo maior artilheiro do clube na década de 20. Conquistou os Campeonatos Cariocas de 1925 e 1927. 

No Campeonato Carioca de 1927, Moderato jogou com uma cinta para se proteger da cirurgia de apendicite que havia feito há alguns dias. A torcida só foi saber disso depois e Moderato se tornou ainda mais do que um ídolo do clube, tornou-se um herói! Nas palavras de Ruy Castro: “A idéia de que Moderato pudesse morrer em campo, com os pontos estourados e o sangue confundindo-se com o vermelho da camisa – tudo isso pelo Flamengo – era demais para o homem comum”. 

Moderato Wisintainer era gaúcho de Alegrete, nascido em 1902. Começou sua carreira como jogador de futebol em 1920, no 14 de Julho de Livramento, uma equipe local. Após um ano jogando pelo clube gaúcho, foi para Minas Gerais jogar no Palestra Itália, hoje Cruzeiro. No clube mineiro jogou dois anos e foi contratado pelo Flamengo, em 1923. Foi no Mengão que atingiu o ápice de sua carreira, o que lhe rendeu a convocação para a Seleção Brasileira, disputando a Copa América de 1925. 

Fez sua estréia pelo clube em 27/05/1923, numa goleada de 4 x 1 contra o Botafogo. Fez inúmeras boas partidas pelo clube, o que lhe rende um lugar na disputa entre os melhores pontas-esquerdas da história do clube. Apesar disto, só vem conquistar um título pelo clube em 1925, onde ao lado de grandes nomes, como Nonô é Campeão Carioca. Nesse mesmo ano conquistaria ainda outros quatro títulos menores. O grande momento de Moderato estaria por vir. 

Em 1927 o Flamengo inicia o Campeonato Carioca perdendo de 3 x 1 para o Vasco e de 9 x 2 para o Botafogo, a maior derrota do Flamengo em jogos oficiais. Apesar do péssimo inicio o clube obtém uma reação inacreditável por todos na época, criando então a mística de que sua camisa jogava sozinha. Após conseguir ir vencendo todos seus adversários, o clube chega em igualdade de pontos com o América, 25 pontos, tendo o Fluminense na cola com 24 pontos. Flamengo e América fariam então do confronto direto uma decisão, já que a competição era em pontos corridos. Se houvesse um empate o Fluminense acabaria sendo o campeão, pois já havia vencido seu jogo e feito 27 pontos. 

O problema é que em junho, o Mengão perde seu grande jogador, Moderato, que após uma crise de apendicite é submetido a uma cirurgia. Vale ressaltar que em 1927, essa era uma cirurgia delicada já que os avanços na Medicina ainda eram limitados. Sabendo da importância do jogo, e ainda mais, da sua importância no time, o ponta-esquerda vai para o jogo decisivo com uma cinta para proteger os pontos da cirurgia de apêndice que tinha realizado. 

O Flamengo começa o jogo na frente com gol de Nonô. No início do segundo tempo é a vez de Moderato marcar, 2 x 0. Então vem o gol do América, e como consequencia a pressão pelo gol de empate. O Mengão então põe pra valer toda a sua mística raça, e com muita garra e vontade, agüenta a pressão e de forma heróica conquista o Campeonato Carioca de 1927. Dentre todos os Heróis do Mengão é impossível não destacar Moderato, que pelo seu amor ao Flamengo, subestimou sua saúde e arriscou sua vida para ser campeão, sendo premiado com o gol do título. 

Em 1930, Moderato torna-se o primeiro gaúcho a ser convocado para a Seleção Brasileira, sendo chamado para disputar a primeira Copa do Mundo no Uruguai. Jogou apenas uma partida, contra a Bolívia, e fez 2 gols, tornando-se o primeiro jogador do Flamengo a ter disputado e a ter marcado um gol pela Seleção na Copa do Mundo. Fez no total cinco jogos e marcou apenas esses dois gols. 

Após a Copa do Mundo Moderato sai do Flamengo e retorna a sua cidade natal. Lá joga por dois anos no Guarany, conseguindo ser vice campeão gaúcho, após perder a decisão para o Internacional. Em 1932, Moderato se aposenta do futebol. Morreu em 1986, com 83 anos.

O ponta-esquerda esta imortalizado no samba Memórias de um Torcedor, de Wilson Batista e Geraldo Gomes, no trecho: “Confesso que tristeza em mim é mato, pois lembro dos áureos tempos do Amado, Penna, Hélcio e Moderato". 

Moderato é um dos Heróis do Mengão!

quarta-feira, 20 de julho de 2011

A Lâmpada Mágica e a Máquina do Tempo



Fala Nação, agora também sou colunista do blog FlaShow. Pra quem não conhece o blog, há um banner ao lado para acessá-lo. Mais uma forma de tentar dividir com vocês um pouco do que sei, e continuo aprendendo a cada dia, sobre o passado de tantas glórias do nosso Mengão. Esse foi meu post de estreia lá.

Todos tivemos que aprender História no colégio, para conhecer nosso passado e entender o que se passa no presente. Como não existe uma escola ou faculdade para aprendermos sobre o Flamengo, temos como OBRIGAÇÃO procurar informações sobre a história do nosso clube de coração. 

Por que eu disse que é obrigação conhecer nossa história? Porque o Flamengo sobreviveu à saída de muitos GÊNIOS do futebol brasileiro que atuaram pelo clube, como Domingos da Guia, Leônidas da Silva, Zizinho, Zico, entre outros. Conhecendo a história talvez as novas gerações, onde eu me incluo, aprendam a não choramingar tanto quando algum ex-jogador do clube que seja considerado ídolo vá jogar em outro clube do país, como nos recentes casos do Adriano e Ibson que causaram um tremendo chororô pelas redes sociais. Convenhamos, essa não é nossa praia, certo?

Tenho 25 anos e não pude ver 99% dos grandes jogadores da história do clube, o que é pra mim uma grande frustração pessoal, já que infelizmente nunca poderei realizar. Quer dizer, posso até realizar, mas precisarei de um pouco de mágica.

Conhece aquela história do Alladim e a lâmpada mágica, né? Gênio, pedidos. Pois bem, se por algum milagre eu encontrasse essa lâmpada, saberia exatamente o que pedir, sem pensar duas vezes. Como o gênio esta trancafiado naquela lâmpada por milênios, provavelmente sairá com muito mau-humor e reduzirá meu pedido para um só. Pra quem não lembra existe uma regra que impede que o gênio “faça alguém se apaixonar por você”, ou seja, chance zero de conseguir a Paola Oliveira ou a Scarlett Johasson. Dinheiro também não pediria, é só trabalhar que se consegue. Muito ou pouco, dependerá do seu talento, dedicação e de uma dose de sorte. Se você for jogador de futebol acrescente nessa lista um empresário influente.

Eu pediria uma “máquina do tempo” pra poder voltar ao passado e assistir ao menos alguns jogos de cada um desses craques que não pude ver. Começaria minha jornada por 1914/15, acompanhando PíndaroSidney Pullen e Ricardo Riemer na conquista dos primeiros títulos do clube. Passaria em 1927 para assistir Moderato  logo após uma cirurgia de apêndice marcar o gol do título Carioca. Na década de 30 acompanharia Leônidas da Silva marcar seus 153 gols em 149 jogos pelo clube. Em seguida assistiria JurandirBiguáNewton, Domingos da Guia, Jaime de AlmeidaModesto Bria, Zizinho, Vevé, ValidoPirilo e Perácio conquistarem o primeiro Tricampeonato Carioca da história do clube.

Mudança de década. Vou para 1953 acompanhar PavãoJordanDequinhaRubens, Joel, Zagallo, Evaristo e Dida durante toda a conquista do segundo Tricampeonato Carioca do clube. Em 1961, alguns deles se juntariam a Joubert e Carlinhos na conquista do Torneio Rio-São Paulo. Eu, óbvio, estaria lá os aplaudindo de pé.

Nova mudança de década, vou pro final dos anos 70 acompanhar todos os passos de um certo Galinho de Quintino. Assistiria a conquista do Tri-Tricampeonato Carioca e toda a trajetória do time que nos daria três Brasileiros, a Libertadores e o Mundial. Choraria ao ver Zico partir pra Europa. Mas ficaria radiante, anos mais tarde, com seu retorno e a conquista do Tetra Brasileiro. No início dos anos 90 veria a conquista da Copa do Brasil e do Penta, sobre o comando do Maestro Júnior.


Se alguém criar, me interesso em comprar.

Talvez toda essa viagem no tempo viria a me trazer alguns sérios problemas de saúde. Não me preocupo. Se o preço a ser pago para assistir a esses GÊNIOS do Flamengo for a minha vida, eu pago. Morreria feliz, e realizado.

SRN!

domingo, 17 de julho de 2011

O Gigante de Pedra


Domingo sem Mengão não é domingo. Devido ao jogo do time Canarinho a partida do Mengão foi adiada. A maioria dos flamenguistas não esta ligando muito para o time verde-amarelo, e talvez um dos motivos seja a falta de um representante do clube nessa atual equipe brasileira. Azar da CBF e do Mano, e sorte nossa que não ficaremos desfalcados. Apesar do pouco interesse pelo time Canarinho, tenho uma pergunta a você leitor do blog: sabe quem foi o primeiro jogador do Flamengo a ser convocado para a Seleção Brasileira? Acertou quem disse Píndaro!

Em 1914, a Federação Brasileira de Sports, antecessora da CBF, reúne pela primeira vez jogadores das principais equipes do Rio e de São Paulo, montando a primeira Seleção Brasileira da história, para um amistoso contra o Exeter City, da Inglaterra. Píndaro e Nery, que formavam a mais forte dupla de zaga do Brasil na época, tiveram a honra de serem os primeiros jogadores do Flamengo a defenderem o time canarinho. Píndaro fez onze jogos no time Canarinho. Ao pendurar as chuteiras, o zagueiro ainda se tornaria treinador da Seleção, disputando a Copa do Mundo de 1930. Como jogador foi Campeão da Copa Roca, em 1914, e da Copa América, em 1919. 

Píndaro de Carvalho Rodrigues, nasceu em São Paulo, no ano de 1892. Foi ao lado de Nery e Borgerth um dos fundadores do time de futebol do clube. Presente na primeira partida disputada pelo Flamengo, Píndaro esteve no clube de 1912 a 1922, disputando ao todo 82 partidas e marcando três gols. Pelo clube foi quatro vezes campeão Carioca, sendo Bicampeão em 1914/15 e Bicampeão em 1920/21. 

Píndaro era um zagueiro-central alto e forte, que tinha uma grande impulsão e usava seu vigor físico para se impor aos adversários. Suas características, somadas a sua forte liderança, lhe renderam o apelido de "Gigante de Pedra". A fama de Píndaro é impressionante se analisarmos que na sua época o futebol era muito ofensivo, onde as equipes atuavam normalmente com no mínimo quatro jogadores no ataque. Dessa forma pouquíssimos defensores conseguiram se sobressair nessa época de futebol amador. 

Píndaro começou a jogar futebol no Fluminense, em 1910, sendo titular da equipe campeã Carioca de 1911. Foi um dos jogadores que ficaram insatisfeitos com a ground committee, espécie de comissão técnica da época, após a barração do atacante Alberto Borgerth. Integrou o grupo de oito jogadores que abandonaram o tricolor e criaram o Departamento de Esportes Terrestre do Flamengo, em dezembro de 1911. 

Em 1912, o Flamengo estreia sua equipe de futebol com Píndaro entre os titulares que golearam o Sport Club Mangueira por 16x2. No primeiro Fla-Flu, apesar do time perder por 3x2, o jogo é especial para Píndaro, pois marca o primeiro gol de um zagueiro pelo clube. 

Após chegar perto do título em 1913, o Mengão finalmente conquista o título Carioca, em 1914. O adversário direto pelo título é o América, que foi derrotado em dois jogos muito disputados, que no final acabariam decidindo a competição. Em uma dessas partidas, Píndaro seria decisivo. O América vencia por 1x0, e o Flamengo partia com todos os jogadores para o ataque em busca do empate. Esse ímpeto ofensivo do clube já havia nos custado algumas derrotas e viradas que impediram a conquista do primeiro título. Até que numa bola alçada na área, Píndaro marca o gol de empate, que acabou abrindo caminho para a virada por 2x1. 

Píndaro viria a conquistar o Bicampeonato Carioca em 1915, e jogaria pelo clube até 1919, quando larga os gramados para exercer a profissão de médico sanitarista da Prefeitura do Distrito Federal, na época o Rio de Janeiro. 

Em 1920, o Flamengo lidera o Campeonato Carioca, mas perde os zagueiros Burgos e Antonico por lesão. O time não tinha mais nenhum zagueiro para colocar em campo. Numa época em que os jogadores não eram tão versáteis, e não existiam as categorias de base para recorrer, o clube recorre a um dos seus antigos heróis, o aposentado Píndaro, que aceita o convite na hora, entusiasmado com a possibilidade de defender mais uma vez o Manto Sagrado. Mesmo sem ter feito um único treino, Píndaro comanda a defesa como nos anos anteriores. O Flamengo vence o Palmeiras-RJ por 5x0, e seguiria no caminho para conquistar o título carioca. Após cumprir sua missão, Píndaro volta ao trabalho de médico. Viria a disputar mais algumas partidas pelo clube, sendo sua despedida oficial em 1922. O Gigante de Pedra faleceu em 1965, no Rio de Janeiro.

Píndaro é um dos Heróis do Mengão!

quinta-feira, 14 de julho de 2011

O injustiçado Luiz Borracha


Luiz Borracha era reserva de Jurandir no gol do Flamengo durante a campanha do primeiro Tricampeonato Carioca. Era um goleiro ágil, forte, seguro, elástico e modesto. Não gostava de chamar a atenção de ninguém. Treinava, jogava, entrava e saia do time, tudo o mais discretamente possível. Sempre que entrava, fazia defesas eletrizantes com saltos acrobáticos. Tamanha era sua elasticidade, recebeu o apelido de “Luiz Borracha”, dado pelo locutor esportivo Ary Barroso. Foram 154 jogos com o Manto Sagrado, cinco títulos conquistados, sendo os mais importantes os Campeonatos Cariocas de 1943/44. Luiz Borracha era o goleiro que defendia o clube na maior goleada ocorrida em um Fla-Flu, os 7x0 de 1945, em que Pirilo fez quatro gols. 

O jogo mais marcante de sua carreira no Flamengo, entretanto, foi uma derrota para o Botafogo, na qual sofreu incríveis cinco gols em 18 minutos, sendo substituído sob intensas vaias da torcida rubro-negra. Foi acusado por dirigentes rubro-negros de ter se vendido ao Botafogo e saiu do time. Após deixar o futebol, as pessoas esqueceram seus dias de glória e Luiz Borracha passou por momentos difíceis em sua vida. Anos depois, reparadas as injustiças, o ex-goleiro voltou à Gávea como massagista do time principal do Flamengo. 

Luiz Gonzaga de Moura, o Luiz Borracha, nasceu em Lavras (MG), no ano de 1920. Começou sua carreira no Minas S. C., time de Barra Mansa (RJ), em 1938, ficando no clube até 1942. Em 1943, é contratado pelo Flamengo para ser reserva de Jurandir. Foi o técnico Flávio Costa quem o lançou na equipe principal do Mengão, e foi ele quem o levou para defender a Seleção Carioca e a Seleção Brasileira. Disputou a Copa América de 1946, e foi campeão da Copa Rio Branco em 1947. Assume o gol do Flamengo com a saída de Jurandir, em 1946, e fica no clube até 1949. 

Passou a contar com a antipatia da torcida após ter falhado em um gol contra o Botafogo, numa partida ocorrida no ano de 1948, em General Severino. A bola vinha para Luiz Borracha, mas Biguá se choca com ele e na sobra Braguinha marca o gol para o Botafogo. Após o lance, Biguá olha para Luiz Borracha com as mãos na cintura e acaba o jogando contra a torcida. Naquele lance Luiz Borracha estava sendo enterrado para o futebol. Dirigentes o acusaram de ter se vendido ao Botafogo e ele terminou saindo do time. As portas dos times grandes se fecharam para o goleiro, por medo de que a acusação fosse verdade. Luiz Borracha era uma vitima, ninguém conseguiu provar as acusações que lhe foram feitas, mas para uma injustiça ser reparada é preciso que o autor da acusação se retalie, fato que nunca ocorreu. 

Após essa polêmica vai para o Bangu (RJ), onde fica até 1951. Logo após se transfere para o São Cristóvão (RJ), e em 1953, vai para o Atlético Nacional (VEN), onde se aposenta em 1954. Luiz Borracha terminou como limpador de automóveis. 

Mesmo magoado com a situação que o levou a deixar o clube, acabou retornando ao Flamengo para integrar a comissão técnica, em 1956, após convite do ex-companheiro de time Jaime de Almeida. Os dirigentes do clube lhe ofereceram um cargo de auxiliar de massagista, foi retirada a calúnia que envolvia seu nome e ele passou a viver em paz. Luiz Borracha recuperou-se com a sociedade, mas seus anos perdidos no futebol ninguém conseguiria devolver. Foi um preço alto demais para um grande goleiro do Flamengo e da Seleção Brasileira. Talvez o destino tenha resolvido cobrar essa injustiça feita pelos dirigentes do clube, e quem pagou a conta foi o próprio Flamengo. 

Luiz Borracha teve um filho, apelidado de Borrachinha, que jogou nas divisões de base do Flamengo, mas não foi aproveitado. Após rodar por muitos clubes, Borrachinha foi parar no Botafogo. Entre 22/10/1978 e 27/05/1979, o Flamengo jogou 52 partidas, com 43 vitórias e 9 empates, recorde de invencibilidade para um time brasileiro, junto com o Botafogo. No dia 03/06/1979 o Flamengo jogaria no Maracanã contra o próprio Botafogo para estabelecer um novo recorde de 53 vitórias. Após o goleiro titular se machucar, Borrachinha começaria como titular, justo contra seu ex-time e do seu pai. Diante de 139.098 pessoas aconteceu o improvável, vitória do Botafogo por 1 a 0, gol do Renato Sá, que anos atrás também tinha colocado fim na invencibilidade de 52 jogos do Botafogo. Borrachinha foi um dos destaques do time alvinegro, com inúmeras defesas que lembraram os velhos tempos de seu pai. 

Luiz Borracha faleceu no Rio de Janeiro, em 1993.

Luiz Borracha em ação num clássico contra o Botafogo.
Luiz Borracha é um dos Heróis do Mengão!