quinta-feira, 14 de julho de 2011

O injustiçado Luiz Borracha


Luiz Borracha era reserva de Jurandir no gol do Flamengo durante a campanha do primeiro Tricampeonato Carioca. Era um goleiro ágil, forte, seguro, elástico e modesto. Não gostava de chamar a atenção de ninguém. Treinava, jogava, entrava e saia do time, tudo o mais discretamente possível. Sempre que entrava, fazia defesas eletrizantes com saltos acrobáticos. Tamanha era sua elasticidade, recebeu o apelido de “Luiz Borracha”, dado pelo locutor esportivo Ary Barroso. Foram 154 jogos com o Manto Sagrado, cinco títulos conquistados, sendo os mais importantes os Campeonatos Cariocas de 1943/44. Luiz Borracha era o goleiro que defendia o clube na maior goleada ocorrida em um Fla-Flu, os 7x0 de 1945, em que Pirilo fez quatro gols. 

O jogo mais marcante de sua carreira no Flamengo, entretanto, foi uma derrota para o Botafogo, na qual sofreu incríveis cinco gols em 18 minutos, sendo substituído sob intensas vaias da torcida rubro-negra. Foi acusado por dirigentes rubro-negros de ter se vendido ao Botafogo e saiu do time. Após deixar o futebol, as pessoas esqueceram seus dias de glória e Luiz Borracha passou por momentos difíceis em sua vida. Anos depois, reparadas as injustiças, o ex-goleiro voltou à Gávea como massagista do time principal do Flamengo. 

Luiz Gonzaga de Moura, o Luiz Borracha, nasceu em Lavras (MG), no ano de 1920. Começou sua carreira no Minas S. C., time de Barra Mansa (RJ), em 1938, ficando no clube até 1942. Em 1943, é contratado pelo Flamengo para ser reserva de Jurandir. Foi o técnico Flávio Costa quem o lançou na equipe principal do Mengão, e foi ele quem o levou para defender a Seleção Carioca e a Seleção Brasileira. Disputou a Copa América de 1946, e foi campeão da Copa Rio Branco em 1947. Assume o gol do Flamengo com a saída de Jurandir, em 1946, e fica no clube até 1949. 

Passou a contar com a antipatia da torcida após ter falhado em um gol contra o Botafogo, numa partida ocorrida no ano de 1948, em General Severino. A bola vinha para Luiz Borracha, mas Biguá se choca com ele e na sobra Braguinha marca o gol para o Botafogo. Após o lance, Biguá olha para Luiz Borracha com as mãos na cintura e acaba o jogando contra a torcida. Naquele lance Luiz Borracha estava sendo enterrado para o futebol. Dirigentes o acusaram de ter se vendido ao Botafogo e ele terminou saindo do time. As portas dos times grandes se fecharam para o goleiro, por medo de que a acusação fosse verdade. Luiz Borracha era uma vitima, ninguém conseguiu provar as acusações que lhe foram feitas, mas para uma injustiça ser reparada é preciso que o autor da acusação se retalie, fato que nunca ocorreu. 

Após essa polêmica vai para o Bangu (RJ), onde fica até 1951. Logo após se transfere para o São Cristóvão (RJ), e em 1953, vai para o Atlético Nacional (VEN), onde se aposenta em 1954. Luiz Borracha terminou como limpador de automóveis. 

Mesmo magoado com a situação que o levou a deixar o clube, acabou retornando ao Flamengo para integrar a comissão técnica, em 1956, após convite do ex-companheiro de time Jaime de Almeida. Os dirigentes do clube lhe ofereceram um cargo de auxiliar de massagista, foi retirada a calúnia que envolvia seu nome e ele passou a viver em paz. Luiz Borracha recuperou-se com a sociedade, mas seus anos perdidos no futebol ninguém conseguiria devolver. Foi um preço alto demais para um grande goleiro do Flamengo e da Seleção Brasileira. Talvez o destino tenha resolvido cobrar essa injustiça feita pelos dirigentes do clube, e quem pagou a conta foi o próprio Flamengo. 

Luiz Borracha teve um filho, apelidado de Borrachinha, que jogou nas divisões de base do Flamengo, mas não foi aproveitado. Após rodar por muitos clubes, Borrachinha foi parar no Botafogo. Entre 22/10/1978 e 27/05/1979, o Flamengo jogou 52 partidas, com 43 vitórias e 9 empates, recorde de invencibilidade para um time brasileiro, junto com o Botafogo. No dia 03/06/1979 o Flamengo jogaria no Maracanã contra o próprio Botafogo para estabelecer um novo recorde de 53 vitórias. Após o goleiro titular se machucar, Borrachinha começaria como titular, justo contra seu ex-time e do seu pai. Diante de 139.098 pessoas aconteceu o improvável, vitória do Botafogo por 1 a 0, gol do Renato Sá, que anos atrás também tinha colocado fim na invencibilidade de 52 jogos do Botafogo. Borrachinha foi um dos destaques do time alvinegro, com inúmeras defesas que lembraram os velhos tempos de seu pai. 

Luiz Borracha faleceu no Rio de Janeiro, em 1993.

Luiz Borracha em ação num clássico contra o Botafogo.
Luiz Borracha é um dos Heróis do Mengão!

terça-feira, 12 de julho de 2011

O paraguaio Modesto Bria



Modesto Bria foi um paraguaio que Ary Barroso foi buscar em Assunção para brilhar no Flamengo. Volante de estilo clássico, Bria foi o ponto de equilíbrio de uma linha média que contava ainda com Biguá e Jaime de Almeida, trio que foi fundamental na conquista do primeiro Tricampeonato Carioca da história do clube. Sua paixão pelo Flamengo fez com que adotasse o Brasil como segunda pátria, vivendo aqui até sua morte, em 1996 no Rio de Janeiro. 

Nasceu em Encarnación, em 1922, e começou sua carreira no Nacional, em 1940. Com grandes atuações chama a atenção e é contratado em 1943 pelo Flamengo através de Ary Barroso. Rubro negro fanático, o compositor foi ao Paraguai de voo fretado para não chamar a atenção dos dirigentes do time local, que quando perceberam já tinham perdido a sua grande promessa. 

Modesto Bria jogou por dez anos no Mengão, disputando ao todo 369 jogos e marcando 8 gols. Conquistou os dois últimos títulos da campanha do Tricampeonato Carioca de 1942/43/44 e o título Carioca de 1953, que viria culminar no segundo Tricampeonato Carioca do clube. Depois de encerrar a carreira Bria virou treinador das categorias de base e teve cinco passagens como técnico do time principal. Como jogador defendeu também a Seleção do Paraguai. 

Como treinador das categorias de base, Bria foi importante na formação de vários jogadores que viriam a fazer parte da Geração de Ouro do Mengão na década de 80. Quando treinava o time juvenil do Flamengo, em 1967, foi apresentado pelo radialista Celso Garcia a um menino franzino apelidado de Zico. Por conta do físico frágil do menino relutou em lhe dar uma oportunidade: “Espere aí, você está de brincadeira! Disse que ia trazer um garoto e trouxe um menino. Nós estamos fazendo aqui um trabalho sério de futebol e não fundando um berçário!”, disse Bria. Sem graça Celso Garcia pediu ao menos alguns minutos de chance para o garoto. Bria cedeu. Na primeira bola que Zico recebeu jogou a bola entre as pernas do zagueiro. Na segunda, deixou o ponta-direita na cara do gol. Durante o resto do treino o menino continuou a impressionar a todos com belas jogadas e não saiu mais do time. 

Outro grande ídolo do clube com quem Bria esteve diretamente ligado foi Júnior. Nosso eterno Maestro jogava algumas peladas na praia, e foi assistindo a uma dessas peladas que Modesto Bria, convidou o ambidestro Júnior para fazer testes entre os jovens rubro-negros. Aprovado, Júnior é até hoje o jogador que mais defendeu o Manto Sagrado.

Mozer deve boa parte do sucesso que obteve em sua carreira a Modesto Bria, o responsável por mudar a sua posição em campo. Mozer começou como atacante, mas Bria dizia que ele não passava de um centroavante deselegante, sem muito futuro no futebol. Mozer virou zagueiro, e é considerado por muitos o segundo maior de sua posição em toda história do clube. 

Nem só de acertos nas categorias de base viveu Bria. Antes de se profissionalizar no futebol, Nunes fez testes na escolinha do Flamengo, sendo dispensado pelo técnico paraguaio. Ao deixar a Gávea, Nunes profetizou: “Um dia eles vão me querer de volta, mas aí terão que desembolsar muito dinheiro”. Dito e feito! Alguns anos mais tarde, Nunes seria contratado para fazer história com a camisa 9 do Mengão.  

Como treinador do time principal, foram 83 jogos, com 45 vitórias, 15 empates e 21 derrotas. Modesto Bria era o treinador do time na maior goleada do Flamengo em Campeonatos Brasileiros Flamengo 8 x 0 Fortaleza, em 4 de fevereiro de 1981.

Modesto Bria é um dos Heróis do Mengão

domingo, 10 de julho de 2011

Pirilo, o 5° maior Artilheiro do Flamengo



Em 1945, no estádio de São Januário, o Flamengo aplicou a maior goleada de toda a história em um Fla-Flu. Comandado por Pirilo, que marcou quatro vezes, o Flamengo venceu a partida por 7x0. Mas quem foi Pirilo?

Centroavante rápido, de drible cortante e excelente visão de jogo, Pirilo chegou ao Flamengo em 1941, com a responsabilidade de substituir o grande Leônidas da Silva, que após ter brigado com a diretoria do clube seria vendido ao São Paulo. E aos poucos, fazendo muitos gols fez a torcida esquecer Leônidas. Com a incrível marca de 201 gols em 236 jogos, Pirilo é o quinto maior artilheiro da história do Flamengo, só perdendo em número de gols para Zico, Dida, Henrique e Romário. 

Silvio Pirilo Cesarino nasceu em Porto Alegre, no ano de 1916. Começou sua carreira em 1934, pelo Americano, antigo clube gaúcho. Foi para o Internacional, onde jogou entre 1936 e 1939, e lá começou a ganhar notoriedade ao substituir o centroavante Mancuso, maior ídolo do futebol gaúcho na época. Seu sucesso chamou atenção e logo foi contratado pelo Peñarol, numa época em que o futebol uruguaio costumava levar vários dos nossos principais jogadores. 

Durante uma excursão a Montevidéu, o então técnico do Flamengo, Flávio Costa, viu Pirilo em ação e recomendou sua contratação ao clube, que estava procurando desesperadamente um atacante goleador para substituir Leônidas da Silva. O Peñarol não pediu muito pelo seu passe, cobrando a quantia de vinte e cinco contos. Tal valor gerou dúvidas na torcida, “será que um jogador que custava vinte e cinco contos poderia substituir Leônidas?”. Pirilo veio para o clube sem saber que o Flamengo iria vender Leônidas e que ele teria de lutar contra o inventor da bicicleta. 

Fez sua estréia com o Manto Sagrado em 4 de maio de 1941, marcando três gols na goleada por 5x2 sobre o Madureira. Pirilo é o atacante com o melhor desempenho nas primeiras dez partidas pelo clube, com 14 gols marcados. Tal desempenho lhe rende o recorde de gols em uma mesma edição do Campeonato Carioca, com 39 gols. A maior marca anterior era exatamente de Leônidas, com 30 gols. 

Apesar do seu alto rendimento, o clube não é campeão, perdendo o título para o Fluminense, após a partida final terminar empatada em 2x2, sendo o autor dos dois gols do Flamengo. Esse jogo ficou conhecido como  o “Fla-Flu da Lagoa”, devido ao fato dos jogadores do Fluminense temendo a vitória do Flamengo, chutavam a bola para a Lagoa Rodrigo de Freitas para retardar o jogo. Como era preciso ir buscar a bola com barcos de remo, perdia-se muito tempo e o Flamengo não conseguiu vencer o jogo. 

Nos anos seguintes Pirilo conquistaria o primeiro Tricampeonato Carioca do clube, formando o histórico ataque com Valido, Zizinho, Perácio e Vevé. Foi pelo clube que chegou à Seleção Brasileira em 1942, fazendo cinco jogos e marcando seis gols. 

Pirilo teve um inimigo no futebol, Spineli jogador do Fluminense. No meio de um Fla-Flu, Pirilo e Spineli saltaram para cabecear uma bola. Ao descer da dividida, Spineli leva a mão à boca, e depois se vira para Pirilo tentando-lhe socar. O soco de Spineli passou por cima da cabeça de Pirilo, que se abaixou. O árbitro viu o lance e expulsou Spineli. Não adiantou Spineli mostrar sua boca sangrando e com quatro dentes da frente amolecidos, o árbitro não havia visto o lance de Pirilo. Depois disso, Pirilo ganhou má fama, bastava que ele entrasse na área para as pessoas ficarem esperando um lance maldoso. Em outro jogo, no Pacaembu, Pirilo deu outro soco em Spineli, mas dessa vez o soco de Spineli lhe atingiu. Os dois foram expulsos pelo juiz. Algum tempo depois Pedro Amorim, outro jogador do Fluminense, apresentou um jogador ao outro, e após muitas conversas os dois se entenderam virando até amigos. 

Pirilo ficou no Flamengo até 1947. Foi para o Botafogo em 1948 e também teve que fazer a torcida esquecer um grande ídolo do clube, Heleno de Freitas. Mais uma vez, conseguiu o feito, sendo Campeão Carioca no ano de sua estreia, ajudando a quebrar um jejum que se estendia desde 1935. Ficou no clube alvinegro até se aposentar em 1952. 

Após encerrar a carreira, tornou-se um treinador de sucesso, chegando inclusive a comandar a Seleção Brasileira. No comando da Seleção ficou marcado por ser o primeiro técnico a convocar o jovem Pelé, em 1957, para a disputa da Copa Roca contra os argentinos no Maracanã. Pirilo faleceu em 1991.

Pirilo é um dos Heróis do Mengão!

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Valido, o Herói do título de 1944


Vitória do Mengão sobre o São Paulo por 1 x 0, com gol de argentino, o meia Bottinelli. Nada melhor do que aproveitar o gancho para falar de outro jogador argentino que decidiu um jogo histórico a favor do Mengão com seu gol. Trata-se de Valido, ponta-direita autor do gol que deu o 1° Tricampeonato Carioca da história do clube em 1944. 

Agustín Valido nasceu no ano de 1914, em Buenos Aires. Começou sua carreira de jogador no Boca Juniors da Argentina em 1934, sendo logo de cara Campeão Argentino. No final da temporada se transfere para o Lanús, onde fica até 1937. Nesse ano, faz um amistoso no Rio de Janeiro contra o Flamengo pelo Combinado Becar-Varella e sua atuação atrai a atenção dos dirigentes do clube que acabam o contratando. 

Jogou no Mengão de 1937 até 1943, ano em que “teoricamente” se aposentou. Valido já era ídolo do clube, onde havia conquistado os títulos Cariocas de 1939 e 1942, mas é após a volta de sua aposentadoria que entra definitivamente na galeria dos grandes heróis do clube. 

Em 1944, já aposentado e empresário, Valido vai à Gávea disputar uma pelada com operários da sua gráfica. Seu desempenho enche os olhos do técnico Flávio Costa, que o convida para voltar ao time durante a reta final do Campeonato Carioca. O convite de Flávio Costa acontece porque o treinador não poderia contar com Perácio, que servia ao Exército, Pirilo, com uma inflamação no púbis, Modesto Bria com furunculose, além de Zizinho gravemente doente. Consciente dos desfalques e por amor ao clube, Valido aceita o convite e após ficar um ano e sete meses sem jogar futebol profissionalmente, volta aos gramados logo em um clássico contra o Fluminense. 

O resultado? Uma goleada de 6x1. Porém o esforço durante a partida deixou Valido quase incapaz de andar, devido à falta de ritmo de jogo. Para completar ainda contraiu um resfriado no decorrer da semana decisiva. Flávio Costa não tendo outras opções, não abriu mão da presença do argentino no que seria a partida decisiva contra o Vasco. E mesmo com 39 graus de febre, Valido foi para o jogo. Para a nossa sorte! 

Durante todo o jogo o Flamengo parecia estar jogando com um a menos em campo. Valido apenas fazia número na ponta direita e o Vasco mandava no jogo. Aos 41 minutos do segundo tempo, uma falta é marcada para o Flamengo na lateral esquerda da área vascaína. Na cobrança Vevé cruza para o meio do tumulto, e o febril Valido salta mais que todos os zagueiros vascaínos cabeceando para o fundo das redes. 1 x 0 no final do jogo, sem a possibilidade de qualquer reação para o Vasco. Foi o gol da raça, do amor ao Manto Sagrado. O gol do primeiro Tri. 

O lance gerou muitos protestos por parte dos vascaínos que alegavam que Valido ao ver que não conseguiria cabecear apoiou-se com os dois braços nos ombros do lateral Argemiro, que caiu sentado no lance. O Vasco ainda tentou de todas as formas possíveis invalidar o gol e também a partida. O lance do gol havia sido filmado e os dirigentes cruz-maltinos utilizaram o filme como prova na Federação Carioca de Futebol. De nada adiantou o chororô, pois a Federação não anulou nada e o Flamengo continuou Tricampeão Carioca. 

Valido faleceu com 84 anos no Rio de Janeiro, no dia 23 de fevereiro de 1998. O jogador antes de morrer afirmou que o Flamengo foi a maior emoção de sua vida. Foram no total 143 jogos e 45 gols pelo Mengão.


O polêmico lance de Valido. Foi falta? Deixe sua opinião nos comentários!

Valido é um dos Heróis do Mengão!

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Pavão



É comum vermos jogadores cujo apelido é um nome de animal, e através desse apelido este jogador acaba sendo conhecido no meio futebolístico. Pato e Ganso, hoje titulares do time Canarinho, são alguns exemplos. 
O Flamengo também tem o seu representante da fauna brasileira. Enganou-se quem acreditava se tratar do paraguaio César "El Tigre" Ramirez, campeão da Copa do Brasil de 2006. Trata-se de Pavão, ídolo do Mengão, que no clube viveu seus dias de glória e marcou época sendo um dos principais atletas na conquista do segundo Tricampeonato Carioca em 1953/54/55. Além dos títulos, deixou seu nome marcado na história rubro-negra através do famoso samba composto por Wilson Batista, Samba Rubro-Negro, em que o músico cita os craques da equipe: "O mais querido tem Rubens, Dequinha e Pavão. Eu já rezei pra São Jorge pro Mengão ser campeão".

Pavão,cujo nome real era Marcos Cortez, foi um zagueiro-central que nasceu em Santos, em 1929, e começou sua carreira de jogador na Portuguesa Santista, no começo dos anos 50. Em 1951, transfere-se para o Flamengo, onde fica até 1959, fazendo 348 jogos pelo clube e cinco gols. Conquistou um total de 19 títulos, sendo o mais importante a conquista do Tricampeonato Carioca 1953/54/55. O sucesso no clube lhe rendeu uma passagem pela Seleção Brasileira, onde conquistou a Taça Oswaldo Cruz, em 1955.

Sua estréia com o Manto Sagrado aconteceu no dia 18 de março de 1951, na vitória por 4 a 2 sobre o São Paulo em partida válida pelo Torneio Rio-São Paulo. Em seus dois primeiros anos como jogador do Flamengo não obtém conquistas expressivas, mas durante esse período inicia-se a formação do time que conquistaria o segundo Tricampeonato Carioca em 1953/54/55, com a chegada de jogadores como Garcia, Joel, Rubens, Dequinha e Biguá.

Pavão inclusive é responsável direto por essa conquista, pois no terceiro jogo da final de 1955 contra o América, onde o clube precisava vencer por três gols de diferença para ser campeão, além de cumprir com sua função defensiva, quando o placar do jogo ainda estava 3 a 1, se aventurou no ataque e arriscou de longe um violento chute que acertou a trave. Na sequencia do lance Evaristo de Macedo pegou o rebote e Dida marcou, garantindo o título para o Mengão.

Em 1959, Pavão voltou para sua cidade natal e passou a defender o Santos. Existe uma lenda de que o Santos ainda deve para o Mengão até hoje uma quantia da compra do seu passe. Pelo clube santista conquistou o título do Torneio Rio-São Paulo de 1959, e o bicampeonato paulista em 1960/61, jogando ao lado de Pelé. Pavão não chegou a participar das conquistas internacionais do clube, pois encerrou sua carreira profissional em 1962, antes dessas competições. O ex-jogador morreu em 2006, vitima de cirrose.

Pavão é um dos Heróis do Mengão!

sexta-feira, 1 de julho de 2011

O Violino

26 de novembro de 2009. Primeiro dia de vendas dos ingressos para o último jogo do Brasileirão, Flamengo X Grêmio, jogo que viria a dar o Hexacampeonato do clube. Chego à Gávea por volta de 8:00, a fila dobra a sede do clube. Após muitas horas debaixo do sol chego na altura da entrada da sede, algumas árvores. Momentos de alívio. Converso com alguns torcedores quando observo um senhor meio fragilizado, de andar devagar, aproximando-se para entrar no clube. Reconheço o senhor, é Carlinhos. Falo com as pessoas próximas a mim, eles ficam em dúvida, mas quando passa em nossa frente eles tem a certeza. Confesso que sou meio bobo, quando vejo um desses monstros fico emocionado, como fiquei ao falar com o Leandro, Adilio e Júlio César "Uri Geller". Com jogadores normais não, a reação é normal.

"Obrigado Carlinhos por tudo que o senhor fez pelo Flamengo, tanto como jogador, quanto como técnico!" digo-lhe enquanto o cumprimento. Ele sorri timidamente e me diz "De nada, de nada...", e com todo o talento de quem comandou o meio campo do Mengão entre 1955 e 1970, ele me dribla, entra no clube para seu carteado e fico sem poder lhe pedir um autográfo...
Carlinhos, o Luís Carlos Nunes da Silva, nasceu no Rio de Janeiro, em 1937. Apoiador de estilo refinado, era um mestre na condução de bola. Por tratar a bola com muita elegância e carinho, foi apelidado de Violino. Fez toda sua carreira no Flamengo, sendo o sétimo jogador com mais jogos pelo clube, 517 jogos e 23 gols marcados. Como jogador foi Campeão Carioca em 1963 e 1965, e Campeão do Torneio Rio-São Paulo de 1961. Como técnico foi Campeão Brasileiro em 1987 e 1992, Campeão Carioca em 1991, 1999 e 2000, além de Campeão da Copa Mercosul de 1999. Foi um dos poucos jogadores a ganhar o Prêmio Belfort Duarte, por nunca ter sido expulso de campo.

Sua história no Flamengo começa em 1954, no jogo de despedida de Biguá, que ao encerrar a carreira entrega suas chuteiras ao ainda jovem Carlinhos, formado nas categorias de base do clube após trocar o infantil do Botafogo pelo Flamengo. Flamenguista desde criança, entra no time jogando com ídolos pessoais, como Dequinha e Rubens. 
Carlinhos é considerado um dos melhores jogadores de meio campo de todos os tempos do futebol brasileiro, apesar de nunca ter feito carreira na Seleção Brasileira, disputando apenas uma partida, no ano de 1964 contra Portugal, no Maracanã. Esteve na lista de 41 jogadores convocados por Aimoré Moreira para a pré-preparação para a Copa do Mundo de 1962, mas para ter equilíbrio entre os convocados cariocas e paulistas, a comissão técnica acabou levando Zequinha, jogador do Palmeiras, para a reserva de Zito.

Repetindo o que fez Biguá, Carlinhos em sua partida de despedida, na vitória por 1x0 contra a Seleção Carioca pelo Troféu General Mendes de Morais, em 1970 no Maracanã, deu suas chuteiras para um garoto magricela que apontava como futuro grande craque... nada mais, nada menos do que Zico!

Carlinhos em sua despedida do futebol, entregando seu par de chuteiras para Zico.

Mesmo após pendurar as chuteiras não perdeu vínculo com a Gávea, considerada por ele "sua segunda casa". Trabalhou no clube por muitos anos, e recebeu uma primeira oportunidade como treinador do time profissional ao substituir Paulo César Carpegiani, em 1983, onde atuou interinamente por apenas cinco partidas antes da chegada de Carlos Alberto Torres, que seria Tricampeão Brasileiro. Carlinhos chamava atenção pela habilidade com que diversas vezes contornou situações difíceis no clube, e em pouco tempo conseguiu se desvencilhar da condição de “eterno interino” passando a ser respeitado como treinador, após a conquista do Tetracampeonato Brasileiro, em 1987. Em 1991, com um time considerado mediano conquista o Campeonato Carioca. No ano de 1992, comanda o time na surpreendente reação no Campeonato Brasileiro e se sagra Pentacampeão sobre o Botafogo. Em 1999, assume um time recheado de garotos formados no clube e leva a equipe ao título Carioca e da Copa Mercosul. Sua última passagem pelo Flamengo ocorreu entre maio e outubro de 2000. Algum tempo após a sua demissão, Carlinhos assumiu o cargo de diretor técnico, cargou em que ficou por pouco tempo.

Carlinhos chegou a treinar outros clubes como o Guarani, mas foi no Flamengo que se firmou como grande treinador, tendo sete passagens pela Gávea. É considerado por muitos, inclusive pro mim, como melhor técnico da história do Flamengo, apesar da vasta lista de grandes treinadores que passaram pelo Mengão.

No dia 12 de fevereiro desse ano, Carlinhos foi homenageado pelo clube com um busto de bronze em uma praça dentro do clube batizada com o seu nome. Na cerimônia, o clube também lhe ofereceu sete medalhas comemorativas, uma por cada título conquistado como treinador da equipe rubro-negra.

Carlinhos é um dos Heróis do Mengão!

terça-feira, 28 de junho de 2011

Newton Canegal



Qualquer rubro-negro que acompanhe os jogos do Mengão sabe que nossa atual zaga não passa nenhuma segurança. Todos os zagueiros do elenco transmitem esse sentimento, nem mesmo Ronaldo Angelim, herói da conquista do Hexacampeonato Brasileiro em 2009, é unanimidade entre a torcida. Falta um zagueiro que assuma o papel de Xerife da zaga, transmitindo segurança aos companheiros e para a torcida. Como foi Newton.

Newton foi um zagueiro que conquistou um total de 16 títulos pelo clube, sendo os mais importantes o Campeonato Carioca de 1939 e o Tricampeonato Carioca de 1942/43/44, quando formou com Jurandir e Domingos da Guia uma das melhores zagas da história do clube. Participou também da campanha do Torneio Rio-São Paulo de 1940, título que o clube luta atualmente pelo reconhecimento da CBF. Disputou 389 jogos pelo clube e fez apenas um gol, na goleada de 6x1 sobre o São Cristóvão, em 21/10/1945. Além disso, foi técnico das categorias de base e comandou o time principal em 8 partidas.

Newton Canegal nasceu no Rio de Janeiro em 1917. Iniciou no futebol jogando pelo Tijuca, um clube de estudantes. No ano de 1936 jogou pela Portuguesa, de onde saiu em 1938 para o Bonsucesso. Vem para o Flamengo, em 1939, contratado a pedido de Flávio Costa, e fica no clube até 1952, ano em que se aposenta do futebol.

Na época de sua contratação, o clube vivia um jejum de títulos cariocas, e Newton é contratado graças à nova política do presidente José Bastos Padilha de abrir as portas do clube a jogadores negros. Assim, jogadores como Domingos da Guia, Médio, Jarbas, Leônidas e o próprio Newton são contratados. Com um time mais forte e dirigido pela primeira vez pelo técnico Flávio Costa, o Mengão foi Campeão Carioca com uma rodada de antecedência, no que se tornou o primeiro título levantado no estádio da Gávea.

Quando Flávio Costa o trouxe do Bonsucesso, dizia que o considerava o único zagueiro capaz de substituir Domingos da Guia, cujo estilo de jogo era bem semelhante. Assim que Domingos da Guia sai para o Corinthians, Newton passa a ser o seu substituto como referência na zaga, papel que faz sem comprometer.

As boas atuações com o Manto Sagrado levaram Newton até a Seleção Brasileira, disputando a Copa América em 1945 e 1946. Pela Seleção ganhou a Copa Roca em 1945.

Assim que deixa o futebol, Newton começa a treinar os juvenis e auxiliar o treinador Flávio Costa no time profissional. Em 1965, dirige durante um mês e meio a equipe principal, de 25/07/1965 até 18/08/1965, antes da chegada do treinador Renganeschi, que viria a ser o técnico campeão naquele ano. De 28/05/1971 até 10/06/1971, tem nova oportunidade no comando do time principal, sendo nessa passagem técnico junto com Modesto Bria. Apesar das duas oportunidades, Newton Canegal dizia que sua preferência era ser assistente, auxiliando o técnico. No total de suas passagens como técnico, foram oito jogos, sendo 5 vitórias, 2 empates e 1 derrota.

Newton morreu em 2003 de insuficiência cardíaca aos 85 anos. Ele lutava contra o Mal de Parkinson e deixou quatro filhos.
 
Newton Canegal é um dos Heróis do Mengão!